Wim Wenders

Apresentação Especial – Carta Branca a Wim Wenders

Wim Wenders tem carta branca da Mostra Internacional de Cinema para programar o que quiser. Ele é um dos autores mais presente ao longo das edições da Mostra e da nossa história de cinéfilos. Sempre corajoso em manifestar as suas inquietudes frente a um mundo com signos enganadores de modernidade, Wenders manifesta seu inconformismo com perturbadora sagacidade, presença de espírito, inovação e constante busca de fórmulas inovadoras de expressão.

Mutante e suficientemente corajoso, nunca escondeu o seu fascínio pela cultura popular americana e seus ícones que povoam o nosso imaginário. Fascínio confesso com crítica, não deslumbramento; que nos enche de coragem, nos livra da culpa da estagnação e convoca a viagens e releituras. E nos enche os olhos e a mente com poesia e musicalidade, nostalgia e modernidade, olhando para o passado e para o futuro com a certeza de quem conclama mudanças no presente.

Aproveita a fama rapidamente criada como talento emergente numa Alemanha paranóica com o seu próprio futuro, mesmo como expoente do movimento Novo Cinema Alemão, parte para os Estados Unidos a fim de render uma série de homenagens a vários de seus ídolos. Uma ao ator e diretor Dennis Hopper, com O Amigo Americano (Der Amerikanische Freund, 1977), outra aos diretores Nicholas Ray e Samuel Fuller, os três atuando nesse mesmo filme. Reinventa a sua modernidade com um filme neo-noir e envolve-nos ao mesmo tempo com a admiração pela novelista Patricia Highsmith, seu inspirado personagem Tom Ripley, e ainda presta homenagem indireta a Alfred Hitchcock que a adaptou no cinema com Pacto Sinistro (Strangers on a Train, 1950).

A sinceridade de Wim Wenders é estimulante. A sua peregrinação americana prossegue surpreendendo. Os seus filmes envolvem espectadores com personagens e roteiros que são capazes de levar o martírio de um cinéfilo às últimas conseqüências. Retorno a Nicholas Ray, o mítico diretor de Johnny Guitar (1954) e Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955) e roda com ele O Filme de Nick (Lightning Over Water, 1980), para registrar a sua morte lenta e real.

A inventividade de Wim Wenders permitia-nos escapes excitantes, mesmo provocando conflitos com ícones admirados em comum. Foi o caso na fascinante homenagem ao escritor de novelas policiais Dashiel Hammett, a alma do film noir, a um custo caríssimo. Hammett, de 1982, também foi rodado nos Estados Unidos e gerou conflitos com o produtor que tanto admiramos como cineasta - Francis Ford Coppola.

Entre as tumultuadas filmagens e interrupções, volta à Europa para rodar O Estado das Coisas (The State of Things), em 1982. Sem que pudesse imaginar, esse filme se tornaria um símbolo de resistência contra a ditadura militar brasileira, depois de ganhar o Leão de Ouro no Festival de Veneza. No dia 20 de outubro de 1984, com mais de mil pessoas lotando a sessão de O Estado das Coisas no Cine Metrópole, cinema infelizmente desaparecido, chegam os agentes da Polícia Federal com uma ordem para interromper a 8ª Mostra Internacional de Cinema.

Em O Estado das Coisas, uma equipe de cinema está em Portugal motivada pela própria autobiografia de Wenders, com as dificuldades de um cineasta em realizar o seu filme sem conseguir se livrar da opressão do produtor. Tudo começou um mês antes da 8ª Mostra ser inaugurada, quando partimos ao desafio ao governo em seu último ano de ditadura, processar a União e obtendo vitória judicial para poder, pela primeira vez em oito anos de existência, fazer um festival sem submeter a seleção dos filmes à censura prévia. A Mostra reagia por todos esses anos de humilhação. Uma semana depois, o governo federal cassaria a liminar e interromperia a Mostra para o espanto de todo o mundo. E justamente no curso da projeção de O Estado das Coisas... Li com voz embargada e lágrima nos olhos, diante de uma platéia espantada, a decisão judicial de acabar com a Mostra livre censura.

Enquanto isso, no auge da criação, Wim Wenders se refaria do impacto do filme americano anterior, ganhando a Palma de Ouro em Cannes de 1984 com Paris, Texas. Impecável modernidade com roteiro de Sam Shepard sobre buscas e perdições, interpretações de Harry Dean Stanton e Natassja Kinski e música de Ry Cooder.

O admirável cineasta-cinéfilo leva-nos ao Japão pouco depois com o diário-documentário Tokyo-Ga, em forma de peregrinação e reverência ao grande mestre Yasujiro Ozu. Foi Wenders quem abriu em 1985 os olhos de novas gerações ao cinema do grande mestre japonês. Observamos na obra de Wim Wenders a sua capacidade de despojamento, sempre se fazendo parecer muito menor diante dos ícones de sua (nossa) formação cultural. Com ele aprendemos sobre o grande poder motriz da humildade. Ao percorrer cenários japoneses e seus rituais tão bizarros quanto fascinantes, Wenders comporta-se com a disciplina de um pupilo e faz notar o quanto japonês e universal é o inestimável legado cinematográfico de Ozu.

A admiração por Wim Wenders foi crescendo a cada revelação e a cada surpresa de seus filmes. O mais emocionante de todos dessa fase foi certamente a sua antecipada demolição do Muro de Berlim com Asas do Desejo (Wings of Desire, 1987). Anjos singelos atrevem-se a ignorar a existência do abominável muro e a sobrevoam indiferentes às fronteiras, atrás das almas que devem guardar. Asas do Desejo foi, merecidamente, o Prêmio do Público da 12ª Mostra, em 1987, e inseriu-se imediatamente na galeria dos seus filmes para sempre cultuados. Inesquecíveis ainda os anjos enxergarem em preto e branco e só verem as cores ao virar mortais pelo ‘pecado’ de se apaixonar por seres vivos...

É notável também o igualmente surpreendente talento e a generosidade de Wim Wenders em prestigiar talentos musicais para agregar valores em seus filmes. “Minha vida foi salva pelo Rock’n Roll. Porque foi esse tipo de música que, pela primeira vez na minha vida, me deu um sentimento de identidade, o sentimento de que eu tinha o direito de aproveitar, imaginar e fazer alguma coisa”, revela Wenders em seu sítio oficial www.wim-wenders.com. A galeria de músicos convidados para os seus filmes é imensa - Ry Cooder, Daniel Lanois, Willie Nelson, U2, Bono, Nick Cave, BAP, Wolfgang Niedecken, Ronnee Blakley e Lou Reed, além de conseguir o feito mundial de resgatar talentos em grupo como em Buena Vista Social Club, de 1998. Com esse documentário musical Wenders deu uma extraordinária sobrevida a um grupo extraordinariamente talentoso de músicos cubanos. Ou como fez ao resgatar a história de três bluesmen marcantes - Blind Willie Johnson (1902-1947), Skip James (1902-1969) e J.B. Lenoir (1929-1967), em A Alma de um Homem (The Soul of a Man, 2003), seu longa dentro da série Blues, e que novamente venceu o Prêmio do Público, na 27ª Mostra. Wim Wenders justifica a escolha dos três bluesmen por identificar neles características comuns: “estavam à frente de seu tempo, escreveram suas próprias músicas, eram cantores e instrumentistas completos e morreram desconhecidos e esquecidos”. Bastava isto para atribuir o Prêmio Humanidade da 32ª Mostra Internacional de Cinema a Wim Wenders. Ele enriquece com seus gestos e filmes a galeria dos indicados anteriores ao Prêmio Humanidade da Mostra, que foram Manoel de Oliveira, Eduardo Coutinho e Amos Gitai. E, portanto, atenção aos filmes escolhidos por Wim Wenders com carta branca.

Finalmente a Mostra vê em cores o seu anjo da guarda.

Leon Cakoff



Escrito por Mostra às 11h15
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Leonera, de Pablo Trapero

Apresentação Especial Pablo Trapero

A Argentina é hoje, ao lado da China e da Romênia, o país onde se faz o melhor e mais instigante cinema jovem no mundo. Desde Mundo Grua, Pablo Trapero está à frente desse processo de renovação que entende o cinema como uma forma de expressão essencial. A projeção de uma identidade nacional na tela.

Em apenas cinco filmes (Mundo Grua, Do Outro Lado da Lei, Família Rodante, Nascido e Criado, e Leonera), Trapero desenvolveu uma escrita única e pessoal. Seu olhar não julga. Mostra e revela. Não há um plano a mais, uma posição de câmera que não seja necessária em seus filmes. Atores e não-atores, dirigidos com precisão e delicadeza, estão a serviço de um todo. Para Trapero como para Bresson ou Rosselini, fazer cinema é ao mesmo tempo uma questão ética e estética.

Tudo parte de um modelo de produção familiar - o cinema como prolongamento da vida. Pablo escreve (ou co-escreve) os roteiros de seus filmes. Martina Guzmán, sua mulher e atriz de seus últimos dois filmes, é quem os produz no quadro da Matanzas Cine, onde jovens diretores como Albertina Carri também desenvolvem seus projetos.

É ao mesmo tempo um cinema próximo da realidade e um cinema de invenção constante. Leonera, seu filme mais recente, é um exemplo vivo disso. Um filme de uma extraordinária pertinência, ao mesmo tempo duro e pleno de afeto, que mostra um cineasta no topo de sua forma. No papel principal, Martina Guzmán oferece uma das interpretações mais luminosas dos últimos anos.

A retrospectiva que a Mostra Internacional de Cinema propõe da obra de Pablo Trapero chega em boa hora. Ela nos convida a conhecer melhor um dos maiores talentos do cinema de autor contemporâneo.

Walter Salles



Escrito por Mostra às 11h08
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32ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA EM SÃO PAULO - CENTRAL DA MOSTRA

 
32ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA EM SÃO PAULO - CENTRAL DA MOSTRA

Datas da Central

De 6 a 10 de outubro, das 12h às 18h: funcionamento somente para informações.

De 11 a 30 de outubro, das 10h às 21h: funcionamento para vendas de permanentes, pacotes promocionais e informações.

Endereço: Av. Paulista, 2073, - Central da 32ª Mostra Internacional de Cinema (Conjunto Nacional, ao lado do Cine Bombril).

A emissão de credenciais obedece a um sistema único de atendimento, por ordem de chegada.

VALORES PERMANENTES, PACOTES PROMOCIONAIS
E INGRESSOS INDIVIDUAIS 2008


PERMANENTES E PACOTES PROMOCIONAIS

Permanente Integral R$  390,00
Permanente Integral Folha (15% de desconto) R$  331,50
Permanente Especial      R$  90,00
Permanente Especial Folha (15% de desconto)  R$  76,50
Pacote de 20 ingressos                                         R$  165,00
Pacote de 40 ingressos                                         R$  285,00

O desconto de 15% da Folha é válido somente para o assinante titular, pessoa física.

INGRESSOS INDIVIDUAIS
De Segunda a Quinta
Inteira - R$ 14,00
Meia - R$ 7,00

Sextas, Sábados e Domingos
Inteira - R$ 18,00
Meia R$ 9,00

Para adquirir ingressos no dia da sessão, somente nas salas de cinema.

Titulares do Cartão Petrobras e funcionário do Sistema Petrobras têm desconto de 50% na compra de até dois ingressos por sessão.

Estudantes terão descontos somente na compra de ingressos individuais diretamente nas salas de cinema ou pelo site da Ingresso.com ( www.ingresso.com.br ). O desconto a estudantes não se estende às permanentes e aos pacotes promocionais.

VENDAS PELA INTERNET

No site Ingresso.com, o ingresso poderá ser adquirido com antecedência de quatro dias a um dia antes da sessão.

Patrocinadores 32ª Mostra

A 32a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo é realizada com o patrocínio da Petrobras; co-patrocínio da Adidas; apoio de FAAP, Vivo, Unibanco, iG, Cosac Naify, Hotel Renaissance, Telecine, Condomínio Conjunto Nacional; apoio cultural SESC SP, Ministério da Cultura e Lei de Incentivo à Cultura, Governo Federal, Sabesp, Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado de São Paulo; apoio institucional da Imprensa Oficial, São Paulo Turismo, Secretaria da Cultura da Prefeitura da Cidade de São Paulo; e promoção da Folha de S. Paulo, Globo Filmes e Rádio Eldorado. Produção: ABMIC – Associação Brasileira Mostra Internacional de Cinema.

Petrobras

A Petrobras apóia a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo desde 2001 porque acredita que projetos como este defendem e valorizam a formação de novas platéias e o acesso aos bens culturais. A Petrobras tem como compromisso em sua política de patrocínios fortalecer as ações de criação, produção, difusão e fruição das artes no país, papel este que a Mostra tem desempenhado com intensa eficiência no cinema brasileiro.



Escrito por Mostra às 15h25
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32ª Mostra Internacional de Cinema abre inscrições para palestra sobre direção com cineasta argentino Pablo Trapero
Pablo Trapero

32ª Mostra Internacional de Cinema abre inscrições para palestra sobre direção com cineasta argentino Pablo Trapero

A 32ª Mostra Internacional de Cinema promove palestra sobre direção com o cineasta argentino Pablo Trapero. A palestra será precedida da exibição de seu mais recente filme, o longa-metragem “Leonera”, que estreou na mostra competitiva do Festival de Cannes deste ano. Trapero é um dos mais importantes cineastas argentinos contemporâneos, autor de longas como “El Bonaerense”, premiado na mostra “Um Certo Olhar” no Festival de Cannes de 2002, e do bem-sucedido “Família Rodante” (2004), exibido na 28ª Mostra.

“Leonera” será exibido em sessão exclusiva para os participantes da palestra na segunda-feira, 20 de outubro, das 9h às 11h, na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado). No mesmo dia, das 13h às 17h, Trapero ministrará a palestra “A mise en scéne como ferramenta narrativa no cinema”.

As inscrições vão até o dia 5 de outubro pelo e-mail oficina@mostra.org. Para se candidatar, o interessado deverá enviar seu currículo e um texto de um parágrafo respondendo a pergunta: “Por que você quer participar da palestra com Pablo Trapero?” Se selecionado, o participante paga uma taxa de R$ 20,00. O domínio da língua espanhola é pré-requisito para a seleção. Dúvidas e pedidos de informações adicionais sobre a oficina também devem ser enviados para este e-mail.

PABLO TRAPERO

Nasceu em Ramos Meijía, Argentina, em 1971, e graduou-se em Direção na Universidade de Cinema de Buenos Aires. Seus primeiros curtas foram “Mocoso Malcriado” (1993) e “Negócios” (1995). Em 1999, assinou o primeiro longa, o premiado “Mundo Grua” (1999), exibido na 23ª Mostra. Dirigiu também “El Bonaerense” (2002), “Família Rodante” (2004) e “Nascido e Criado” (2006). Seu mais recente filme, “Leonera” (2008), será exibido na 32ª Mostra.

Palestra com Pablo Trapero

Quando: Segunda-feira, 20 de outubro

Exibição de “Leonera”: às 9h

Palestra com Pablo Trapero: das 13 às 17h –

Onde: FAAP (Rua Alagoas, 903, Higienópolis) – “A mise em scéne como ferramenta narrativa no cinema

Quanto: R$ 20

Como se inscrever: pelo e-mail oficina@mostra.org. Enviar um currículo e um texto de um parágrafo respondendo a pergunta: “Por que você quer participar de palestra com Pablo Trapero?”

Prazo da inscrição: até 5 de outubro

Patrocinadores 32ª Mostra

A 32a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo é uma realização da ABMIC – Associação Brasileira Mostra Internacional de Cinema com o patrocínio da Petrobras Distribuidora; apoio cultural do SESC São Paulo, Ministério da Cultura, Governo Federal, Secretaria de Estado da Cultura e Sabesp; apoio institucional da Imprensa Oficial, Memorial da América Latina, São Paulo Turismo e Secretaria da Cultura do Município de São Paulo; apoio da FAAP, Unibanco, Hotel Renaissance, Editora Cosac Naify e Conjunto Nacional; e promoção da Folha de S. Paulo.

Petrobras

A Petrobras apóia a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo desde 2001 porque acredita que projetos como este defendem e valorizam a formação de novas platéias e o acesso aos bens culturais. A Petrobras tem como compromisso em sua política de patrocínios fortalecer as ações de criação, produção, difusão e fruição das artes no país, papel este que a Mostra tem desempenhado com intensa eficiência no cinema brasileiro.



Escrito por Mostra às 15h29
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32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo terá retrospectiva com filmes raros de Ingmar Bergman

 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo terá retrospectiva com filmes raros de Ingmar Bergman

A 32ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que acontece entre 17 e 30 de outubro, exibirá retrospectiva de filmes do cineasta sueco Ingmar Bergman, com obras raras do início de sua carreira. O autor também será homenageado com exposição fotográfica e relançamento de sua autobiografia.

Outro homenageado da Mostra é o cineasta japonês Kihachi Okamoto (1924 – 2005), que também ganhará retrospectiva. A Mostra ainda trará a São Paulo importantes figuras do cinema mundial como o cineasta argentino Pablo Trapero e a atriz, cineasta e cantora portuguesa Maria de Medeiros, e fará exibição especial de “Berlin Alexanderplatz”, uma das grandes obras de Rainer Werner Fassbinder.

Homenagem a Ingmar Bergman

No ano em que Ingmar Bergman completaria 90 anos, a Mostra homenageia o cineasta com uma retrospectiva que privilegia filmes raros do início de sua carreira. Entre os filmes que farão parte da seleção estão “Crise” (1946), “Prisão” (1949), “Rumo à Alegria” (1950) e “A Hora do Lobo” (1968). Os filmes serão exibidos em cópias novas em 35 mm produzidas com supervisão do Instituto Sueco, órgão que difunde a cultura sueca no mundo.

A Mostra também apresentará a exposição “Meus Encontros com Bergman”, uma seleção de fotografias em que o cineasta aparece nos bastidores das filmagens. As fotos, tiradas entre as décadas de 50 e 80, são do sueco Ove Wallin. A exposição já passou por Estocolmo e Tóquio.

A Mostra ainda promoverá o relançamento de “Lanterna Mágica”, a autobiografia do cineasta, reeditada pela Cosac Naify e com tradução direta do original sueco. A obra foi publicada originalmente no Brasil pela editora Guanabara em 1988 e está esgotada.

Retrospectiva Kihachi Okamoto

Outro homenageado da Mostra é o cineasta japonês Kihachi Okamoto (1924 – 2005). O autor ganhará uma retrospectiva composta por 14 de seus 39 títulos. Kihachi Okamoto, um dos pioneiros do novo cinema japonês, já foi comparado a Samuel Fuller, mas permaneceu pouco conhecido fora do Japão. O diretor, no entanto, influenciou cineastas ocidentais contemporâneos como Quentin Tarantino (“Kill Bill Vol. 1 e 2”) e Jim Jarmusch (“Ghost Dog: Matador Implacável”). Além de seus notáveis filmes de samurai (chambara movies) e de gângster, Okamoto realizou importantes filmes de guerra.

Okamoto nasceu em 1924 em Tottori, no Japão. Em 1943, começou a trabalhar como assistente de direção nos estúdios Toho, mas logo depois foi recrutado pelo serviço militar. Aos 19 anos, foi enviado para a fronte do Pacífico da Segunda Guerra Mundial. Após a guerra, voltou aos estúdios e foi assistente de direção de Senkichi Taniguchi, Masachiro Makino e Mikio Naruse, entre outros. Esta geração de cineastas iria, na década de 1960, repensar e transformar o cinema de gênero japonês.

Como muitos cineastas de sua geração --Masaki Kobayashi (nascido em 1919), Kenji Misumi (nascido em 1921), Seijun Suzuki (nascido em 1923), Yasuzo Masumura (nascido em 1924)--, Okamoto foi influenciado pela Segunda Guerra Mundial, e sua obra é permeada pelos temas da violência e dos conflitos.

Sua cinematografia, no entanto, percorre diversos estilos. Okamoto realizou sérios dramas históricos, filmes de ação e até comédias com toques musicais. Grande fã de John Ford, Okamoto inseriu elementos do western na maioria dos seus filmes.

Suas histórias cômicas, seu trabalho de câmera de tirar o fôlego e sua montagem de ritmo rápido ficaram conhecidas como “toque Kihachi”. Entre os títulos confirmados na Mostra estão seu filme de estréia, “All About Marriage” (1958), e importantes filmes de sua carreira como “Desperado Outpost” (1959), “The Sword of Doom” (1966) , “Kill” (1968), “Oh, My Bomb!” (1964).


“Berlin Alexanderplatz”, de Rainer Werner Fassbinder

A Mostra fará exibição especial de “Berlin Alexanderplatz”, série de 1980 realizada para a TV pelo cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder. É a primeira vez que a obra, com mais de 15 horas de duração, será exibida em 35 mm no Brasil –a série foi exibida em 16 mm na 9ª Mostra de Cinema, em 1985. A exibição, que tem apoio do Instituto Goethe, será dividida em blocos de três episódios por noite a partir de 25 de outubro.

Workshop com Pablo Trapero

Pablo Trapero, autor de “Família Rodante” e um dos mais importantes cineastas argentinos, é um dos convidados da 32ª Mostra de Cinema. O diretor ministrará um workshop de direção na FAAP, assim como já fizeram em edições anteriores os cineastas israelense Amos Gitai e o iraniano Abbas Kiarostami.

Seu mais recente filme, “Leonera”, que estreou no Festival de Cannes deste ano, será exibido pelo Festival. A atriz Martina Gusmán, mulher de Trapero e protagonista do filme, também vem a São Paulo para as exibições do longa.

Show de encerramento com Maria de Medeiros

A atriz, cineasta e cantora portuguesa Maria de Medeiros fará, em 30 de outubro, o show de encerramento da Mostra. Medeiros, que foi nomeada em 17 de março deste ano “Artista da UNESCO pela Paz”, apresentará no teatro do SESC Pinheiros canções de seu primeiro disco, “A Little More Blue”, em que interpreta composições de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil. O disco é uma carinhosa homenagem à música popular brasileira e aos seus autores de resistência nos anos da ditadura militar.

Em sua adolescência, Maria de Medeiros aprendeu a decifrar nas entrelinhas das canções a resistência de compositores brasileiros. No álbum, Medeiros ordena de maneira inédita o sentido das canções interpretadas, nascidas em ambiente de repressão, frustrações políticas e desejos de transformação.

Maria de Medeiros nasceu em Lisboa, Portugal, em 1965. Reconhecida atriz internacional, já foi a frágil e insegura mulher de Bruce Willis em “Pulp Fiction” (1994), de Quentin Tarantino; a emotiva e transgressora escritora Anaïs Nin em “Henry & June” (1990), de Phillip Kaufman; a doida e alienada amante de um empresário da construção civil em “Ovos de Ouro” (1993), de Bigas Luna; entre outros inúmeros papéis.

Como diretora, seu primeiro longa-metragem foi o drama “Capitães de Abril”, que recebeu o Prêmio do Júri Internacional da 24ª Mostra de Cinema em 2000. Em 2004, a Mostra exibiu seu segundo longa, o documentário “Bem Me Quer...Mal Me Quer”, sobre a relação de amor e ódio entre artistas e críticos. Medeiros dirigiu um dos segmento de “Bem-Vindo a São Paulo”, longa-metragem coletivo realizado em São Paulo por vários cineastas internacionais consagrados a convite de Leon Cakoff, diretor da Mostra. O filme foi exibido na 28ª Mostra e lançado em circuito comercialmente em circuito nacional em 2007.

O cartaz da 32ª Mostra

Neste ano, a artista plástica Tomie Ohtake assina pela terceira vez na história da Mostra o cartaz do festival e todas as artes para as peças promocionais do evento. Tomie Ohtake também é a criadora do troféu Bandeira Paulista, com o qual são premiados os filmes vencedores da Mostra.

Tomie Ohtake integra uma galeria que já conta com cartazes de Hector Babenco, Michelangelo Antonioni, Federico Fellini, Akira Kurosawa, Manoel de Oliveira, Isabella Rossellini, Aleksandr Sokúrov, Abbas Kiarostami, Takeshi Kitano, Emir Kusturica, Angeli, Guto Lacaz, entre outros.

Os prêmios

Fiel à sua vocação de contemplar a diversidade cinematográfica e revelar novos talentos, a Mostra, além de proporcionar ao público uma seleção do melhor da produção cinematográfica mundial, também premia os melhores filmes.

O festival promove a Competição de Novos Diretores, da qual participam cineastas que tenham realizado no máximo seu segundo longa-metragem e cujo filme inscrito tenha sido concluído neste ano, sem exibição pública no Brasil. Os vencedores da Competição Novos Diretores recebem da Mostra o troféu Bandeira Paulista, uma criação da artista plástica Tomie Ohtake.

O Festival também traz ao público um panorama da mais importante e representativa produção do cinema mundial dos dois últimos anos, que são exibidos na seleção Perspectiva Internacional. Os filmes desta seleção concorrem ao prêmio do público nas categorias Melhor Longa Estrangeiro e Melhor Longa Brasileiro.

Em seção destinada a novas linguagens e a realizadores que produzem filmes para cinema, televisão e internet, a Mostra traz a seleção Mostra Médias e Curtas, com filmes de média e curta-metragem. Os filmes inscritos nesta seção serão avaliados por um júri específico e concorrerão nas categorias Melhor Média Estrangeiro, Melhor Média Brasileiro, Melhor Curta Estrangeiro e Melhor Curta Brasileiro.

História da Mostra

Dirigida por Renata de Almeida e Leon Cakoff, o evento orgulha-se de suas contribuições pela circulação de idéias e a promoção da diversidade cultural em São Paulo e no país.

O festival foi criado em 1977 pelo crítico de cinema Leon Cakoff para celebrar os 30 anos da fundação do Masp - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Nos sete anos em que a Mostra foi realizada pelo Departamento de Cinema do Masp, dirigido por Cakoff, muitos desafios de censura tiveram que ser superados, pois o país vivia sob ditadura militar. Apenas em 1985, após batalha jurídica travada pela Mostra, o festival pôde exibir seus filmes sem que estes fossem submetidos à censura prévia. A medida que beneficiou a Mostra, instituída por portaria do Ministério da Justiça, estendeu-se a todo o território brasileiro e também beneficiou outros festivais de cinema que haviam passivamente incorporado a censura prévia a seus regulamentos

A primeira edição da Mostra Internacional de Cinema apresentou 16 longas-metragens e sete curtas (de 17 países), teve 40 sessões no Grande Auditório do Masp e inaugurou a modalidade do voto do público que nunca mais foi abandonada. Venceu então o Prêmio do Público “Lúcio Flávio, passageiro da Agonia”, de Hector Babenco.

Em sua 31ª edição, realizada entre 19 de outubro e 1º de novembro de 2007, a programação da Mostra Internacional de Cinema ofereceu uma seleção composta por 370 longas, 67 curtas e 24 médias, totalizando 461 filmes de 77 países e 1.181 sessões.

Patrocinadores

A 32a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo é uma realização da ABMIC – Associação Brasileira Mostra Internacional de Cinema com patrocínio da Petrobras Distribuidora; apoio cultural do SESC São Paulo, Ministério da Cultura, Governo Federal, Secretaria de Estado da Cultura e Sabesp; apoio institucional da Imprensa Oficial, Memorial da América Latina, São Paulo Turismo e Secretaria da Cultura do Município de São Paulo; apoio da FAAP, Unibanco, Hotel Renaissance, Editora Cosac Naify e Conjunto Nacional; e promoção da Folha de S. Paulo.

Petrobras

A Petrobras apóia a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo desde 2001 porque acredita que projetos como este defendem e valorizam a formação de novas platéias e o acesso aos bens culturais. A Petrobras tem como compromisso em sua política de patrocínios fortalecer as ações de criação, produção, difusão e fruição das artes no país, papel este que a Mostra tem desempenhado com intensa eficiência no cinema brasileiro.

Informações para imprensa com:

Margarida Oliveira: margom@uol.com.br
Marina Campos Mello: marina@mostra.org
Juliana Andrade: juliana@mostra.org
Telefone: (11) 3141.0413



Escrito por Mostra às 16h28
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Filmes do México, Suíça e Brasil vencem Festival

CURTA DE OLIVEIRA COLECIONA ELOGIOS NO FESTIVAL



O curta-metragem DO VISÍVEL AO INVISÍVEL, dirigido por Manoel de Oliveira, escolhido como filme de abertura do 65º Festival de Veneza, foi sucesso mundial e instantâneo, acumulando elogios ao longo da mostra. Eis alguns deles, principalmente na imprensa italiana:

“Bellissimo corto” (revista Ciak, Itália)

“O diretor quase centenário abre o festival com ligeireza num curta sobre a dificuldade de comunicação” (Corriere de la Sera, Itália).

“Rápido como nunca foi um filme de Oliveira, completamente imerso no nosso tempo” (La Repubblica, Laura Putti, Itália).

“Agrada o curta de Manoel De Oliveira – Aplausos para o curta espirituoso DO VISÍVEL AO INVISÍVEL” (Il Messaggero, Itália).

“Ovação a Oliveira com o curta sardônico que dá o tom do festival na sua abertura” (Le Monde, Thomas Sotinel, França).

“Sobre o curta de Manoel de Oliveira – gracioso e denso – tudo que se diga é pouco” (ABC, Rodríguez Marchante, Espanha).

“Manoel de Oliveira volta ao futuro. O quase centenário cineasta, sempre mais livre, espirituoso e leve, ambienta em São Paulo do Brasil, na metrópole mais invejada da potência rival lusófona, faz com DO VISÍVEL AO INVISÍVEL um pequeno panfleto sobre a doença mortal da nossa civilização ocidental, incapaz de se comunicar se não enfaixado, masoquistamente controlado e pagando à Tim pelo pequeno prazer primário da conversação... Que toque cosmopolita, que respiro cultural necessário este do cineasta do Porto, em um mundo assim perigosamente obsecado...” (Il Manifesto, Roberto Silvestri, Itália).

“O curta de Manoel de Oliveira precede o filme de abertura com um pensamento profundo, mas leve, de graça inimitável” (La Stampa, Lietta Tornabuoni, Itália).

“Aos quase 100 anos, Manoel de Oliveira continua a demonstrar vigor e lucidez que faria inveja aos de 40. Ainda mais com o irônico e venenoso curta-metragem DO VISÍVEL AO INVISÍVEL que abriu a Mostra antes do filme dos Coen” (Il Gazzettino, Chiara Pavan, Itália).

“Esplêndida e simples parábola alegórica sobre a incomunicabilidade do mundo moderno, o curta-metragem reflete de maneira direta sobre quando a solidão humana é forte em um tempo em que a comunicação tecnológica permite chegar a qualquer um e a qualquer lugar. Uma pequena amostra em sete minutos sobre o que será o filme MUNDO INVISÍVEL, que já prenuncia ser uma obra-prima” (Drammaturgia.it, Marco Luceri, Itália).

O longa-metragem MUNDO INVISÍVEL é uma produção da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e será realizado por vários diretores internacionais convidados. O mestre Manoel de Oliveira, com DO VISÍVEL AO INVISÍVEL, foi o primeiro projeto concluído para este projeto.



Escrito por Mostra às 21h28
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Filmes do México, Suíça e Brasil vencem Festival
Parque Via, de Enrique Rivero

Filmes do México, Suíça e Brasil vencem Festival

Terminou o 61.o Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça. A imprensa foi unânime - a qualidade dos filmes deste ano foi das melhores e todos lamentam o anúncio da próxima partida do diretor artístico Frédéric Maire, futuro diretor da Cinemateca Suíça. O cineasta israelense Amos Gitai, recebeu um Leopardo de Honra e mostrou cinco de seus filmes, entre eles o mais recente, One Day, You Will Understand, com Jeanne Moreau vivendo a personagem de uma avó que evita contar o passado de sua família, vítima de nazistas e de seus colaboradores franceses.

Foi também homenageado com uma retrospectiva, o cineasta italiano, Nanni Moretti, conhecido por seu passado engajado na esquerda e por sua oposição ao atual primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi.
 
Única brasileira concorrendo na seção de curtas-metragens dos Leopardos de Amanhã, no Festival de Locarno, na Suíça, Eva Randolph ganhou o primeiro prêmio, o Leopardinho de Ouro, mais o equivalente a 32 mil euros. O título do filme parece pesado, Dez Elefantes, porém se trata de um filme extremamente singelo e em 15 minutos mostra um jogo de esconde entre duas crianças e a coragem da menina que, escondida no galinheiro, deixa uma lagarta deslizar da palma de sua mão até o pulso. Ironia – o filme pouco antes de ser concluído foi rejeitado pelo Festival de Brasília.

"Meu roteiro era previsto para ser filmado em vídeo como exercício no meu curso de cinema na UFF, no Rio de Janeiro, mas acabou sendo selecionado no concurso de roteiro da Rio Filmes e assim tive condições de filmar em 35mm. O que era previsto para se fazer em dois meses, acabou levando sete, tudo muito maior do que eu pensava", conta Eva, carioca de 25 anos, mãe paulista e pai alemão.

"Tive uma ajuda de 50 mil reais, mas isso é muito pouco, acabei tendo de colocar mais uns 10 mil meus, pois quase vai tudo na cópia que tinha de ser em 35mm. Fiquei muito feliz com a escolha, mas acho necessário ser revisto o total que é entregue aos escolhidos", diz ela.

O curta foi feito no município de Miguel Pereira. Eva trabalhou com Ana Azevedo e com Eric Rocha. Quando foram feitas as filmagens, a menina tinha 8 anos e o menino 11 anos e foram selecionados numa escola de atores crianças em Laranjeiras, CAL. As filmagens foram feitas em uma semana, mas os ensaios levaram três meses. A idéia veio de um conto da Lígia Fagundes Teles e Eva acentua ter havido um trabalho coletivo até a finalização.

O Festival de Locarno premiou com o Leopardo de Ouro o filme mexicano Parque Via, de Enrique Rivero, mostrando a vida monótona, solitária e sem sentido de um zelador de uma rica mansão, vazia.

O filme mexicano Parque Via dura 80 minutos que parecem muito mais, e isso por opção do seu diretor, o espanhol Enrique Rivero, interessado em mostrar a monotonia vivida por um zelador de uma rica mansão, na Cidade do México.

Com um objetivo – acentuar a existência de uma sociedade mexicana de castas bem divididas, a dos ricos geralmente de origem européia e a dos pobres, na maioria de origem índia, entregando-se a esta última as atividades menos criativas e sem interesse, que poderiam ser feitas por robôs.

Tanto que o personagem do filme Beto, é vivido por Nolberto Cora, na verdade o zelador há 30 anos de uma mansão pertencente à família do diretor Rivero. Esse convívio com um empregado fiel à família levou Rivero a afirmar em sua entrevista à imprensa que os patrões desses dométicos nem imaginam a que preço de vida se pode calcular tal fidelidade.

Rivero também explicou sua opção por um tempo ou ritmo lento do filme, ao contrário dos filmes americanos, com a intenção de marcar ainda mais a rotina despersonalizante vivida por Beato. Instruções nesse sentido foram dadas ao próprio montador do filme.

A escolha do filme mexicano faz parte do grande destaque dado pelo diretor Frédéric Maire aos filmes latino-americanos, presentes na competição e nas mostras paralelas do Festival de Locarno.

Rivero comenta a presença da violência na televisão, único ponto de contato do personagem do seu filme com a realidade. A violência dá audiência e, por isso, diz Rivero, sua presença constante nos filmes americanos. Embora não saiba dizer como se enfrentar essa escolha violenta sempre presente no vídeo, ele afirma que cada pessoa deve saber se deve aceitar ou entrar nessa oferta de mundo violento.

Filme suíço também ganha
 
O Leopardo de Ouro para Cineasta do Presente foi para o documentário suíço, A Fortaleza, filmado num dos centros suíços de requerentes de asilo, onde se encontram homens e mulheres errantes, desgraçados, mal alimentados, em busca de uma terra prometida que, para a maioria, será negada.
 
A Fortaleza, de Fernand Melger, é um documentário de um crítico da sociedade suíça, voltado para os temas atuais da atualidade. Um dos últimos documentários de Fernand Melger é Saída – o Direito de Morrer, sobre a associação suíça Exit, que oferece a auto-eutanásia às pessoas idosas ou  com doenças graves.
 
Dez Elefantes, da jovem carioca Eva Randolph, é o momento de pausa, no qual se pode respirar diante de crianças, porque onde há crianças há ainda a esperança, diante do verde e da água  de um pequeno lago em Miguel Pereira, no Rio de Janeiro. E diante da coragem de uma menina que deixa uma lagarta andar na palma de sua mão para provar não ser medrosa.
 
Mas, fora desses prêmios principais, algumas películas transmitiram sua mensagem social – Deuses, do peruano Josué Méndez, mostra a juventude desorientada de uma elite econômica peruana e os esforços de integração de uma jovem vinda dos bairros pobres  e de origem índia, na sua nova família  abastada, Para o diretor, o título Deuses é para denunciar uma classe dominante peruana que se crê tudo permitido, como deuses do Olimpo, sem tomar consciência da miséria reinante à sua volta.
 
Festa de Canalhas, com menção honrosa e filmado em Pequim, mostra um fenômeno novo surgido na China, o do tráfico de órgãos, agravado pela decisão do governo de permitir um recurso judicial às penas de morte, parte das exigências em termos de direitos humanos à organização ds Olimpíadas. A falta dos órgãos dos condenados à morte, criou um mercado negro de órgãos que, à margem da lei, alicia doadores, principalmente de rins. Sem dinheiro para pagar a hospitalização do pai, numa China que privatiza serviços de saúde, Fu-gui, personagem central decide ingenuamente vender um rim, sem perceber cair nas mãos de canalhas impiedosos que não lhe pagarão o prometido e o deixarão na rua sem tratamento pós-operatório.
 
O filme não poderá ser exibido na China, mas seu diretor Pan Jianlin já tem outro projeto provocador – Quem matou nossas crianças ? sobre as consequências do recente terremoto na China, derrubando numerosas escolas e matando os alunos, em grande parte filhos únicos. As escolas tinham sido construídas.com material inadequado para garantir maior lucro às empresas construtoras e caíram como castelos de cartas com os primeiros tremores de terra. Uma das primeiras consequencias da política econômica neo-liberal permitida pelo governo chinês, detonadora do processo de corrupção generalizado.



Escrito por Mostra às 14h30
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MANOEL DE OLIVEIRA ABRE FESTIVAL COM CURTA<br> BRASILEIRO PRODUZIDO PELA MOSTRA DE S. PAULO
Leon Cakoff e Ricardo Trepa.

MANOEL DE OLIVEIRA ABRE FESTIVAL COM CURTA
BRASILEIRO PRODUZIDO PELA MOSTRA DE S. PAULO

O curta-metragem brasileiro DO VISÍVEL AO INVISÍVEL/ FROM VISIBLE TO INVISIBLE, dirigido pelo mestre português Manoel de Oliveira e produzido pela Mostra Internacional de Cinema/ São Paulo International Film Festival, foi escolhido como o filme de abertura do 65º Festival de Veneza, no dia 27 de agosto próximo. O filme, produzido por Renata de Almeida e Leon Cakoff, diretores da Mostra, tem também Leon Cakoff como ator, ao lado do português Ricardo Trepa.

DO VISÍVEL AO INVISÍVEL/ FROM VISIBLE TO INVISIBLE faz parte do longa-metragem MUNDO INVISÍVEL/INVISIBLE WORLD, projeto em construção da Mostra Internacional de Cinema/ São Paulo International Film Festival em parceria com a Gullane Filmes e as Oficinas Querô. O projeto partiu de uma idéia original de Serginho Groisman sobre situações de invisibilidade no mundo atual. A exemplo do longa-metragem em episódios anterior produzido pela Mostra de São Paulo, BEM-VINDO A SÃO PAULO/ WELCOME TO SÃO PAULO, vários diretores internacionais serão convidados para completar o projeto com suas colaborações.

O argumento e o roteiro do curta DO VISÍVEL AO INVISÍVEL foram originalmente escritos pelo próprio Manoel de Oliveira, cineasta ainda ativo no vigor de seus quase 100 de idade, a serem completados em dezembro próximo. O filme trata com ironia e fino humor do reencontro surpreendente de dois amigos, Ricardo e Leon, na avenida Paulista, coração de São Paulo. Um é português, de passagem pelo Brasil, e o outro é brasileiro. Eles tentam conversar, mas ora o celular de um, ora o do outro, toca, impedindo a conversa de se completar. Finalmente, eles decidem telefonar um ao outro para poder se comunicar. Falam da vida, da ética, do amor, da amizade e dos tempos que correm, cercados pelo ritmo incessante da cidade, com seus automóveis e pessoas que não podem parar.

O mestre Oliveira consegue sintetizar em poucos minutos toda a ironia do mundo moderno, servido por sofisticados aparatos de comunicação. E que, apesar deles, a comunicação que temos, pouca serventia parece ter para corrigir os rumos do mundo.

A mesma noite inaugural do 65º Festival de Veneza será seguida pela exibição do novo longa-metragem norte-americano BURN AFTER READING, comédia de humor negro sobre um agente da CIA cuja identidade secreta é descoberta. O longa foi escrito, produzido e dirigido pelos irmãos Ethan e Joel Coen, com elenco formado por George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Richard Jenkins e Brad Pitt. O 65º Festival de Veneza transcorre até o dia 6 de setembro, quando serão anunciados os vencedores de seus tradicionais Leões de Ouro.

Mais infos. sobre o Festival de Veneza em :
http://www.labiennale.org/it/cinema/



Escrito por Mostra às 12h29
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ÍCONE DO CINEMA FRANCÊS ESTÁ À VENDA
 

ÍCONE DO CINEMA FRANCÊS ESTÁ À VENDA

A notícia já era conhecida no meio editorial francês desde abril de 2008, mas foi oficialmente anunciado e circulou no 61º Festival de Cannes: a revista CAHIERS DU CINEMA, hoje editado pelo jornal LE MONDE, está à venda. O anúncio veio no editorial “Travaux Ouverts” (Trabalhos Abertos), assinado por Emmanuel Burdeau e Jean-Michel Frodon. O editorial é o da edição nº 634, de maio de 2008, do CAHIERS DU CINEMA. Assinam o editorial, respectivamente, o chefe dos redatores e o diretor de redação da revista.

O perigo ronda este ícone do cinema francês, por onde passaram críticos e depois famosos cineastas como Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, François Truffaut, Eric Rohmer, Jacques Rivette e muitos outros jovens cinéfilos. Graças a eles nasceria a ‘política de autor’, que deu status de autor aos diretores de cinema que até então, nos anos 50, eram tratados por produtores de Hollywood como meros empregados dos estúdios. Este conceito estimulante para se criticar e discutir filmes começou já com André Bazin, que de 1951 a 1958 foi o primeiro diretor de redação do CAHIERS.

O seleto grupo de críticos seria também responsável pelo surgimento do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague que lança no final dos anos 50 frescor e audácia no cinema mundial e muda as convenções de uma produção de filme. Sai às ruas como o seu precursor neo-realismo italiano e dialoga com a realidade do entorno. Aderem ao movimento, mesmo sem serem da redação do CAHIERS, nomes depois igualmente inseridos na sua adorável galeria: Agnès Varda, Jacques Demy, Jean Rouch, Roger Vadim, Jacques Rozier, Claude Berri, Alain Resnais e Maurice Pialat. À margem do movimento, mas igualmente influente, afirmam-se os cinemas de Claude Lelouch e de Jean-Pierre Melville. E segue-se a geração influenciada pela Nouvelle Vague que dinamiza ainda mais as regras do movimento : Jean Eustache, André Téchiné, Jacques Doillon , Bertrand Tavernier, Claude Sautet, Michel Deville e Jean-Paul Civeyrac…

« Não sabemos ainda qual será o futuro do CAHIERS, mesmo se os dirigentes do MONDE estão empenhados para que os sucessores, quem seja escolhido, garantam a fidelidade à história da revista e assegurem o seu progresso », dizem os editorialistas.

Segundo Frodon, somam-se onze grupos interessados em dar continuidade editorial ao CAHIERS DO CINEMA. Esperamos também que mais esta história de ameaça à cinefilia tenha um final feliz.



Escrito por Mostra às 13h43
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FILMES POLÍTICOS SE DESTACAM NA PREMIAÇÃO
ENTRE LES MURS/ THA CLASS, de Laurent Cantet

FILMES POLÍTICOS SE DESTACAM NA PREMIAÇÃO

E a França voltou a ganhar a Palma de Ouro depois de uma longa espera de 21 anos. Foi com o filme tocante ENTRE LES MURS/ THA CLASS, de Laurent Cantet, sobre alunos da 8ª série em uma escola pública de Paris. Cantet inspirou-se no livro homônimo de François Bégaudeau, que atua como o professor dos 24 alunos adolescentes seguidos em seus conflitos nos limites da classe de aula. Em muitos momentos pensamos estar assistindo a um documentário. Mas o realismo sobre tolerância e esperança, sobre a importância do ensino e da cultura para a boa formação intelectual dos jovens, dá um recado universal, apaixonante e muito comovente. Dá também um bom recado político e a esperança de que ele seja visto por platéias jovens. A última Palma de Ouro para um filme francês em Cannes foi para SOUS LE SOLEIL DE SATAN, de Maurice Pialat.

A grande surpresa foi o prêmio de melhor atriz para a brasileira Sandra Corveloni, atriz de teatro e estreante em cinema no filme LINHA DE PASSE, de Daniela Thomas e Walter Salles. Ela faz a mãe-coragem e simboliza a luta de mulheres brasileiras de uma triste realidade que lutam para criar os filhos sem pais presentes. O prêmio a Sandra Corveloni dá um novo alento ao filme e o enriquece com novas leituras emocionais. Era um prêmio esperado, ao menos para o Jornal da Mostra

O prêmio de melhor ator foi confirmado para o mexicano Benicio del Toro no ótimo CHE, de Steven Soderbergh. O grande prêmio do júri presidido por Sean Penn foi para o italiano GOMORRA, de Matteo Garrone, um filme tenso e agitado sobre os tentáculos da máfia napolitana. E de olho nos estragos provocados na sociedade e em sua pobre juventude. O diretor turco Nuri Bilge Ceylan ficou com o prêmio de melhor diretor pelo denso ÜÇ MAYMUN/ THREE MONKEYS/ TRÊS MACACOS. Outro prêmio do júri e para outro italiano – IL DIVO, de Paolo Sorrentino, dedicado à fascinante carreira política de Giulio Andreotti. Finalmente o prêmio de melhor roteiro destacou ainda mais o novo trabalho dos já premiadíssimos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne. Desta vez pelo nervoso LE SILENCE DE LORNA, sobre tráfico humano e clandestinidade de imigrantes na nova comunidade européia.

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Escrito por Mostra às 13h30
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EGOYAN, PERTURBADOR COM ‘ADORAÇÃO’
ADORATION, de Atom Egoyan

EGOYAN, PERTURBADOR COM ‘ADORAÇÃO’

ADORATION, do canadense Atom Egoyan, foi um dos destaques da competição no 61º Festival de Cannes. Egoyan cria expectativas com o seu cinema sempre perturbado, onde tradições culturais que desafiam o que possa ser desagregador. Ele é mais um dos cineastas sempre destacados na constelação de Cannes. Bem que merece. Egoyan constrói filmes densos, ricos e inventivos, cheios de humanidade. Preserva valores familiares e sempre os coloca acima dos fetiches enganosos de modernidade.

Em ADORATION/ ADORAÇÃO, seguimos um adolescente que ganha fama instantânea graças à internet. Estimulado misteriosamente por sua professora de francês e arte cênica, uma imigrante libanesa que perdeu os pais na guerra civil, o aluno inventa uma história terrível sobre terrorismo. Na sua imaginação, o pai seria um terrorista que usou a sua mãe grávida para ingressar com um explosivo num avião de carreira rumo a Israel com 400 passageiros a bordo.

De verdade, o adolescente perdeu os pais num acidente de carro e é criado pelo tio, irmão da mãe, uma violinista virtuosa. Só que a história inventada entra na rede e provoca reações indignadas pelo mundo. Mais provocador fica quando o rapaz coloca em discussão os fundamentos e os motivos que levam pessoas a atuar em atos de extremismo. Os recursos modernos de se fazer notar instantaneamente pela internet, com câmeras digitais de telefones e outros recursos fáceis de usar com o próprio computador, reascende os debates sobre os atentados de 11 de Setembro.

A professora perde o emprego por ter estimulado a aluno a ir tão longe com a sua história. Mas ela tem um segredo que os aproxima tanto. Saberemos disso ao final do filme, o que torna estes confrontos ainda mais excitantes. Ela é interpretada pela ótima atriz de Egoyan, Arsinée Khanjian, mulher e principal colaboradora do diretor. Ela é o fundamento de Egoyan e sempre dá rumo aos seus filmes. Merecidamente a dupla é considerada entre as mais criativas do cinema canadense e ADORAÇÃO ficou entre os mais bem vistos de todo o festival.

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Escrito por Mostra às 20h40
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O MARKETING INTELIGENTE DE UMA NOVA CÂMERA
THE FLIP TRIP, de Vincenzo Cosentino

O MARKETING INTELIGENTE DE UMA NOVA CÂMERA

A fórmula foi um perfeito marketing durante o 61º Festival de Cannes. A recém lançada filmadora digital Flip Video, disponível inicialmente no mercado norte-americano, em associação com a produtora francesa Celluloid Dreams, criou uma competição de filmes paralela ao próprio festival de Cannes.

Presenteou com uma de suas mini-câmeras a cada um dos cineastas de curtas-metragens presentes e lhes propôs realizarem em três dias um novo curta de até três minutos de duração. Como jurados do ‘Flip Competition’, com o bom prêmio de dez mil dólares ao vencedor, a Celluloid convidou diretores de festivais internacionais presentes em Cannes. Foram realizados 105 curtas. Os 21 finalistas foram vistos e julgados em reunião pelos diretores dos festivais de Berlim, Locarno, Carlovy Vary, Nova York, Toronto e São Paulo.

A mini câmera atende a uma nova geração de internautas. Tem capacidade para gravar até 30 minutos, 1 GB de memória e resolução vídeo VGA de 640 x 480 pixels. O que mais interessa na sua versatilidade é a possibilidade de conexão fácil e imediata à internet.

Por unanimidade, o vencedor foi o curta THE FLIP TRIP, de Vincenzo Cosentino, uma animação inteligente e bem humorada sobre o nascimento de uma nova estrela que vai a Cannes pela primeira vez: a própria câmera Flip. Os concorrentes e os vencedores podem ser conferidos no sítio http://www.theauteurs.com/competitions/1


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Escrito por Mostra às 01h45
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A DIFÍCIL TAREFA DE ADOTAR CINEASTAS
O SILÊNCIO DE LORNA, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

A DIFÍCIL TAREFA DE ADOTAR CINEASTAS

Cannes cultiva o hábito de adotar cineastas e prestigiá-los ao longo de suas edições. Uma verdadeira revolução aconteceu neste cenário quando em 1968 o festival foi interrompido para repensar a sua fórmula conservadora de promover cinema. A partir de 1969 surgiria a Quinzena dos Realizadores e mais adiante Un Certain Regard. Uma vez encorajado e fortalecido o conceito de cinema autoral, a constelação de Cannes forjou nomes e talentos que é muito difícil abandonar. Cannes e outros festivais agem como se adotassem cineastas e fazem suas platéias seguir o que eles fazem, evoluindo ou não a cada filme.

Mas tudo tem limite. Muitas vezes falta espaço na seleção para os seus antigos protegidos. Mas quem se destaca com este sortilégio também sabe o custo de tanta exposição à mídia mundial. É o que passa com os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que venceram a Palma de Ouro por duas vezes e voltam à disputa com LE SILENCE DE LORNA/ LORNA’S SILENCE/ O SILÊNCIO DE LORNA. Quando a imprensa sai da primeira exibição do filme dizendo que o estilo dos Dardennes está mudando, está mais acessível, será isto um elogio ou uma crítica negativa? Lembrar que o último deles L’ENFANT/ THE CHILD (Palma de Ouro em 2005) foi um fracasso mundial de público, pesa a favor ou contra o cinema deles?

É verdade que a câmera selvagem dos filmes com a marca Dardenne até L’ENFANT, por vezes difícil de seguir, está mais comportada e domesticada em O SILÊNCIO DE LORNA. Mas felizmente a argüição sociológica deles segue preservada. A Bélgica que eles desnudam jamais deixaria ser representada por um cinema assim antes de 1968, quando eram os países que, oficialmente, indicavam os filmes a Cannes. Exemplo criado e ainda mantido nas bienais de artes como do precursor em Veneza.

A Bélgica dos Dardenne segue piorando nos enfoques realistas dos irmãos implacáveis. Dessa vez não há jovens sem perspectiva de trabalho ou ascensão e não há jovens despreparados para ter filhos. Eles nos conduzem a um submundo organizado de imigrantes ilegais da Albânia, da sedução pelo euro e a europeização de uma civilidade que não combina com o balanço social que o estado constituído tenta manter, ao menos nas aparências. O grupo que seguimos tem uma sedutora isca (a talentosa Arta Dobroshi) que ganha cidadania ao se casar com um junkie drogado e suicida. Ao começar a se humanizar com o flagelo social com quem divide um mesmo apartamento, ela é posta sob observação e desencadeia uma vendeta sem retorno. Grávida, não pensa em abortar; passa a ajudar o marido de casamento arranjado. Finalmente recusa a se casar de novo, desta vez com um russo que também busca a nirvana da cidadania européia, e se desencanta de vez com todas as seduções do paraíso.

Imprensa, produtores, distribuidores, diretores, todas as platéias que buscam em Cannes o novo que irá arrebatar as platéias de todo o mundo, também experimentam uma frustração ao longo dos dias em que o festival passa por eles. O cinema autoral segue protegido como ficamos felizes de ver que os Dardenne concluíram mais um filme sem trair seus estilos. A frustração que cresce é constatar que a defesa de uns significa a desclassificação de centenas de outros filmes que não estão em Cannes por simples falta de espaço nas suas diversas programações. Novos talentos pedem mais espaço. Para tanto realmente há o papel exercido pelos festivais ao longo do ano e pelo mundo.

Vale reproduzir o diálogo do mestre Manoel de Oliveira, lembrado na homenagem que Cannes lhe fez com uma Palma de Ouro de carreira:

“Fui visitar Fellini no hospital e ele me disse que os cineastas tem os aviões (os filmes), mas não têm onde pousar. Depois pensei, que sim, temos aviões e temos muitos aeroportos para pousar, que os nossos aeroportos são os festivais de cinema...”

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Escrito por Mostra às 01h44
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BRASIL, O SEGREDO DA LONGEVIDADE 

BRASIL, O SEGREDO DA LONGEVIDADE

O 61º Festival de Cannes fez uma homenagem ao centenário Manoel de Oliveira cheia de surpresas. A sala lotada do Grand Théâtre Lumière tinha as presenças de Clint Eastwood, Sean Penn e Walter Salles entre muitos outros cineastas, jornalistas e convidados. Manoel de Oliveira, prestes a completar 100 anos, em dezembro, veio acompanhado por sua mulher Maria Isabel, o neto Ricardo Trepa, o ator e diretor Michel Piccoli e o diretor da cinemateca portuguesa João Bénard da Costa.

Gilles Jacob, presidente do festival, fez um discurso emocionado falando da importância de Oliveira e de seus filmes, a maioria feita depois de seus 70 anos de idade. Tierry Fremaux, diretor do festival de Cannes, improvisou a sua homenagem ao cineasta português lembrando que estamos testemunhando o centenário de três grandes personalidades: “Claude Levy Straus, Oscar Niemayer e Manoel de Oliveira. Niemayer já é brasileiro, Levy Straus foi muito ao Brasil (para fazer os seus estudos antropológicos) e Manoel de Oliveira vai muito ao Brasil (à Mostra Internacional de Cinema); portanto, Clint Eastwood e Sean Penn, se vocês querem chegar aos 100 anos podem começar a ir ao Brasil!”, completou.

A primeira surpresa da homenagem foi a exibição de um pequeno filme assinado por Gilles Jacob – “Um dia na vida de Manoel de Oliveira”, com um depoimento do cineasta em seu apartamento no Porto. É onde Oliveira lembra de sua última passagem por Cannes: “Recebi uma mensagem no hotel sem assinatura. Dizia que o cinema é movimento, o que não havia nos meus filmes. Que eu fazia still, fotos fixas. Eu completei a nota. Disse que a foto fixa não tem movimento algum. Mas que um plano fixo, ao contrário, tem muitos movimentos em seu interior.”

A maior surpresa foi a entrega de uma Palma de Ouro a Manoel de Oliveira. “Acho muito melhor ganhar um prêmio assim, sem competir com outros colegas”, agradeceu Oliveira. A homenagem foi encerrada com a exibição do curta de 18 minutos DOURO, FAINA FLUVIAL, que Manoel de Oliveira fez em 1930 e apresentou em setembro de 1931 no congresso internacional de críticos.

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Escrito por Mostra às 11h40
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SALLES É APONTADO COMO ‘O REI DO WORLD CINEMA’
LINHA DE PASSE, de Daniela Thomas e Walter Salles

SALLES É APONTADO COMO ‘O REI DO WORLD CINEMA’

Honrados com o melhor dia fora o da abertura, no primeiro sábado, três estilos de cineastas cult se cruzaram no 61º Festival de Cannes. O chinês Jia Zhang Ke (24 CITY) e os brasileiros Daniela Thomas e Walter Salles (LINHA DE PASSE) se encontraram na hora nervosa dos testes de projeção, mas sem que pudessem ver o que o outro filmou. Já Woody Allen (VICKY CRISTINA BARCELONA) exerceu o seu capricho ao atrasar a sessão seguinte, de Daniela e Walter, por recusar-se a descer as escadarias do palácio de festival sob chuva torrencial às dez e meia da noite. Só que quem entrou toda molhada na sala foi a platéia de LINHA DE PASSE.

Jia Zhang Ke apresentou o seu filme mais radical e difícil. Muitos planos fixos para uma mistura de entrevistas reais e fictícias sobre um tema crucial: uma cidade à deriva (Chengdu, que acaba de ser arrasada com um terremoto) e uma população de três gerações descartada depois de servir por 50 anos aos caprichos do regime comunista. Ao mesmo tempo, o renascimento da sua economia sob a voracidade de um capitalismo selvagem tão cruel e indiferente com as vidas envolvidas e destruídas quanto o sistema anterior. 24 CITY é o nome de um moderno conjunto habitacional que será construído no local de fábricas do estado onde muitos chineses deram a vida pelo progresso e pela manutenção de segredos militares do regime. É que Chengdu era uma cidade proibida por sediar fábricas de armamentos e componentes do pesado maquinário bélica. Vemos novamente a China em transe, tema sempre inventivo do cinema do genial Jia Zhang Ke.

LINHA DE PASSE é o novo filme da dupla brasileira Daniela Thomas e Walter Salles que se firma definitivamente no cenário internacional. Um modesto jornal de distribuição gratuita durante o festival, “Technikart Super Cannes”, dá a Salles a melhor e mais elogiosa definição: “o rei do world cinema, mesmo fazendo um filme num universo super local”.

O universo “super local” a que se refere é a periferia de São Paulo, sua pobreza horizontal e as chances de escape de se contar nos dedos. São quatro filhos homens de uma mesma mulher e aventuras diferentes. O filme vai nos falar de um flagelo social de envergonhar o Brasil – a ausência de pais em uma boa parcela das relações familiares. Os passes de ascensão dos quatro filhos são o futebol, o pastoreio nas igrejas paralelas, os trabalhos desqualificados (agora com a carreira dos motoboys) e o crime. Quem parece destinado para merecer um prêmio, além do próprio filme, é o ator-mirim e revelação Kaique de Jesus Santos, agora com 15 anos, descoberto através da ONG Casa do Zezinho. Ele, com a sua história de um menino negro à procura do pai entre centenas de motoristas de ônibus, encantou as platéias de Cannes. Mais justo ainda, como Cannes já fez em duas outras vezes, seria premiar em conjunto todo o elenco de LINHA DE PASSE, além do pequeno Kaique: Vinícius de Oliveira, João Baldasserini, Sandra Corveloni (a mãe) e José Geraldo Rodrigues.

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Escrito por Mostra às 11h22
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