ÍCONE DO CINEMA FRANCÊS ESTÁ À VENDA
 

ÍCONE DO CINEMA FRANCÊS ESTÁ À VENDA

A notícia já era conhecida no meio editorial francês desde abril de 2008, mas foi oficialmente anunciado e circulou no 61º Festival de Cannes: a revista CAHIERS DU CINEMA, hoje editado pelo jornal LE MONDE, está à venda. O anúncio veio no editorial “Travaux Ouverts” (Trabalhos Abertos), assinado por Emmanuel Burdeau e Jean-Michel Frodon. O editorial é o da edição nº 634, de maio de 2008, do CAHIERS DU CINEMA. Assinam o editorial, respectivamente, o chefe dos redatores e o diretor de redação da revista.

O perigo ronda este ícone do cinema francês, por onde passaram críticos e depois famosos cineastas como Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, François Truffaut, Eric Rohmer, Jacques Rivette e muitos outros jovens cinéfilos. Graças a eles nasceria a ‘política de autor’, que deu status de autor aos diretores de cinema que até então, nos anos 50, eram tratados por produtores de Hollywood como meros empregados dos estúdios. Este conceito estimulante para se criticar e discutir filmes começou já com André Bazin, que de 1951 a 1958 foi o primeiro diretor de redação do CAHIERS.

O seleto grupo de críticos seria também responsável pelo surgimento do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague que lança no final dos anos 50 frescor e audácia no cinema mundial e muda as convenções de uma produção de filme. Sai às ruas como o seu precursor neo-realismo italiano e dialoga com a realidade do entorno. Aderem ao movimento, mesmo sem serem da redação do CAHIERS, nomes depois igualmente inseridos na sua adorável galeria: Agnès Varda, Jacques Demy, Jean Rouch, Roger Vadim, Jacques Rozier, Claude Berri, Alain Resnais e Maurice Pialat. À margem do movimento, mas igualmente influente, afirmam-se os cinemas de Claude Lelouch e de Jean-Pierre Melville. E segue-se a geração influenciada pela Nouvelle Vague que dinamiza ainda mais as regras do movimento : Jean Eustache, André Téchiné, Jacques Doillon , Bertrand Tavernier, Claude Sautet, Michel Deville e Jean-Paul Civeyrac…

« Não sabemos ainda qual será o futuro do CAHIERS, mesmo se os dirigentes do MONDE estão empenhados para que os sucessores, quem seja escolhido, garantam a fidelidade à história da revista e assegurem o seu progresso », dizem os editorialistas.

Segundo Frodon, somam-se onze grupos interessados em dar continuidade editorial ao CAHIERS DO CINEMA. Esperamos também que mais esta história de ameaça à cinefilia tenha um final feliz.



Escrito por Mostra às 13h43
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FILMES POLÍTICOS SE DESTACAM NA PREMIAÇÃO
ENTRE LES MURS/ THA CLASS, de Laurent Cantet

FILMES POLÍTICOS SE DESTACAM NA PREMIAÇÃO

E a França voltou a ganhar a Palma de Ouro depois de uma longa espera de 21 anos. Foi com o filme tocante ENTRE LES MURS/ THA CLASS, de Laurent Cantet, sobre alunos da 8ª série em uma escola pública de Paris. Cantet inspirou-se no livro homônimo de François Bégaudeau, que atua como o professor dos 24 alunos adolescentes seguidos em seus conflitos nos limites da classe de aula. Em muitos momentos pensamos estar assistindo a um documentário. Mas o realismo sobre tolerância e esperança, sobre a importância do ensino e da cultura para a boa formação intelectual dos jovens, dá um recado universal, apaixonante e muito comovente. Dá também um bom recado político e a esperança de que ele seja visto por platéias jovens. A última Palma de Ouro para um filme francês em Cannes foi para SOUS LE SOLEIL DE SATAN, de Maurice Pialat.

A grande surpresa foi o prêmio de melhor atriz para a brasileira Sandra Corveloni, atriz de teatro e estreante em cinema no filme LINHA DE PASSE, de Daniela Thomas e Walter Salles. Ela faz a mãe-coragem e simboliza a luta de mulheres brasileiras de uma triste realidade que lutam para criar os filhos sem pais presentes. O prêmio a Sandra Corveloni dá um novo alento ao filme e o enriquece com novas leituras emocionais. Era um prêmio esperado, ao menos para o Jornal da Mostra

O prêmio de melhor ator foi confirmado para o mexicano Benicio del Toro no ótimo CHE, de Steven Soderbergh. O grande prêmio do júri presidido por Sean Penn foi para o italiano GOMORRA, de Matteo Garrone, um filme tenso e agitado sobre os tentáculos da máfia napolitana. E de olho nos estragos provocados na sociedade e em sua pobre juventude. O diretor turco Nuri Bilge Ceylan ficou com o prêmio de melhor diretor pelo denso ÜÇ MAYMUN/ THREE MONKEYS/ TRÊS MACACOS. Outro prêmio do júri e para outro italiano – IL DIVO, de Paolo Sorrentino, dedicado à fascinante carreira política de Giulio Andreotti. Finalmente o prêmio de melhor roteiro destacou ainda mais o novo trabalho dos já premiadíssimos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne. Desta vez pelo nervoso LE SILENCE DE LORNA, sobre tráfico humano e clandestinidade de imigrantes na nova comunidade européia.

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Escrito por Mostra às 13h30
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EGOYAN, PERTURBADOR COM ‘ADORAÇÃO’
ADORATION, de Atom Egoyan

EGOYAN, PERTURBADOR COM ‘ADORAÇÃO’

ADORATION, do canadense Atom Egoyan, foi um dos destaques da competição no 61º Festival de Cannes. Egoyan cria expectativas com o seu cinema sempre perturbado, onde tradições culturais que desafiam o que possa ser desagregador. Ele é mais um dos cineastas sempre destacados na constelação de Cannes. Bem que merece. Egoyan constrói filmes densos, ricos e inventivos, cheios de humanidade. Preserva valores familiares e sempre os coloca acima dos fetiches enganosos de modernidade.

Em ADORATION/ ADORAÇÃO, seguimos um adolescente que ganha fama instantânea graças à internet. Estimulado misteriosamente por sua professora de francês e arte cênica, uma imigrante libanesa que perdeu os pais na guerra civil, o aluno inventa uma história terrível sobre terrorismo. Na sua imaginação, o pai seria um terrorista que usou a sua mãe grávida para ingressar com um explosivo num avião de carreira rumo a Israel com 400 passageiros a bordo.

De verdade, o adolescente perdeu os pais num acidente de carro e é criado pelo tio, irmão da mãe, uma violinista virtuosa. Só que a história inventada entra na rede e provoca reações indignadas pelo mundo. Mais provocador fica quando o rapaz coloca em discussão os fundamentos e os motivos que levam pessoas a atuar em atos de extremismo. Os recursos modernos de se fazer notar instantaneamente pela internet, com câmeras digitais de telefones e outros recursos fáceis de usar com o próprio computador, reascende os debates sobre os atentados de 11 de Setembro.

A professora perde o emprego por ter estimulado a aluno a ir tão longe com a sua história. Mas ela tem um segredo que os aproxima tanto. Saberemos disso ao final do filme, o que torna estes confrontos ainda mais excitantes. Ela é interpretada pela ótima atriz de Egoyan, Arsinée Khanjian, mulher e principal colaboradora do diretor. Ela é o fundamento de Egoyan e sempre dá rumo aos seus filmes. Merecidamente a dupla é considerada entre as mais criativas do cinema canadense e ADORAÇÃO ficou entre os mais bem vistos de todo o festival.

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Escrito por Mostra às 20h40
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O MARKETING INTELIGENTE DE UMA NOVA CÂMERA
THE FLIP TRIP, de Vincenzo Cosentino

O MARKETING INTELIGENTE DE UMA NOVA CÂMERA

A fórmula foi um perfeito marketing durante o 61º Festival de Cannes. A recém lançada filmadora digital Flip Video, disponível inicialmente no mercado norte-americano, em associação com a produtora francesa Celluloid Dreams, criou uma competição de filmes paralela ao próprio festival de Cannes.

Presenteou com uma de suas mini-câmeras a cada um dos cineastas de curtas-metragens presentes e lhes propôs realizarem em três dias um novo curta de até três minutos de duração. Como jurados do ‘Flip Competition’, com o bom prêmio de dez mil dólares ao vencedor, a Celluloid convidou diretores de festivais internacionais presentes em Cannes. Foram realizados 105 curtas. Os 21 finalistas foram vistos e julgados em reunião pelos diretores dos festivais de Berlim, Locarno, Carlovy Vary, Nova York, Toronto e São Paulo.

A mini câmera atende a uma nova geração de internautas. Tem capacidade para gravar até 30 minutos, 1 GB de memória e resolução vídeo VGA de 640 x 480 pixels. O que mais interessa na sua versatilidade é a possibilidade de conexão fácil e imediata à internet.

Por unanimidade, o vencedor foi o curta THE FLIP TRIP, de Vincenzo Cosentino, uma animação inteligente e bem humorada sobre o nascimento de uma nova estrela que vai a Cannes pela primeira vez: a própria câmera Flip. Os concorrentes e os vencedores podem ser conferidos no sítio http://www.theauteurs.com/competitions/1


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Escrito por Mostra às 01h45
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A DIFÍCIL TAREFA DE ADOTAR CINEASTAS
O SILÊNCIO DE LORNA, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

A DIFÍCIL TAREFA DE ADOTAR CINEASTAS

Cannes cultiva o hábito de adotar cineastas e prestigiá-los ao longo de suas edições. Uma verdadeira revolução aconteceu neste cenário quando em 1968 o festival foi interrompido para repensar a sua fórmula conservadora de promover cinema. A partir de 1969 surgiria a Quinzena dos Realizadores e mais adiante Un Certain Regard. Uma vez encorajado e fortalecido o conceito de cinema autoral, a constelação de Cannes forjou nomes e talentos que é muito difícil abandonar. Cannes e outros festivais agem como se adotassem cineastas e fazem suas platéias seguir o que eles fazem, evoluindo ou não a cada filme.

Mas tudo tem limite. Muitas vezes falta espaço na seleção para os seus antigos protegidos. Mas quem se destaca com este sortilégio também sabe o custo de tanta exposição à mídia mundial. É o que passa com os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que venceram a Palma de Ouro por duas vezes e voltam à disputa com LE SILENCE DE LORNA/ LORNA’S SILENCE/ O SILÊNCIO DE LORNA. Quando a imprensa sai da primeira exibição do filme dizendo que o estilo dos Dardennes está mudando, está mais acessível, será isto um elogio ou uma crítica negativa? Lembrar que o último deles L’ENFANT/ THE CHILD (Palma de Ouro em 2005) foi um fracasso mundial de público, pesa a favor ou contra o cinema deles?

É verdade que a câmera selvagem dos filmes com a marca Dardenne até L’ENFANT, por vezes difícil de seguir, está mais comportada e domesticada em O SILÊNCIO DE LORNA. Mas felizmente a argüição sociológica deles segue preservada. A Bélgica que eles desnudam jamais deixaria ser representada por um cinema assim antes de 1968, quando eram os países que, oficialmente, indicavam os filmes a Cannes. Exemplo criado e ainda mantido nas bienais de artes como do precursor em Veneza.

A Bélgica dos Dardenne segue piorando nos enfoques realistas dos irmãos implacáveis. Dessa vez não há jovens sem perspectiva de trabalho ou ascensão e não há jovens despreparados para ter filhos. Eles nos conduzem a um submundo organizado de imigrantes ilegais da Albânia, da sedução pelo euro e a europeização de uma civilidade que não combina com o balanço social que o estado constituído tenta manter, ao menos nas aparências. O grupo que seguimos tem uma sedutora isca (a talentosa Arta Dobroshi) que ganha cidadania ao se casar com um junkie drogado e suicida. Ao começar a se humanizar com o flagelo social com quem divide um mesmo apartamento, ela é posta sob observação e desencadeia uma vendeta sem retorno. Grávida, não pensa em abortar; passa a ajudar o marido de casamento arranjado. Finalmente recusa a se casar de novo, desta vez com um russo que também busca a nirvana da cidadania européia, e se desencanta de vez com todas as seduções do paraíso.

Imprensa, produtores, distribuidores, diretores, todas as platéias que buscam em Cannes o novo que irá arrebatar as platéias de todo o mundo, também experimentam uma frustração ao longo dos dias em que o festival passa por eles. O cinema autoral segue protegido como ficamos felizes de ver que os Dardenne concluíram mais um filme sem trair seus estilos. A frustração que cresce é constatar que a defesa de uns significa a desclassificação de centenas de outros filmes que não estão em Cannes por simples falta de espaço nas suas diversas programações. Novos talentos pedem mais espaço. Para tanto realmente há o papel exercido pelos festivais ao longo do ano e pelo mundo.

Vale reproduzir o diálogo do mestre Manoel de Oliveira, lembrado na homenagem que Cannes lhe fez com uma Palma de Ouro de carreira:

“Fui visitar Fellini no hospital e ele me disse que os cineastas tem os aviões (os filmes), mas não têm onde pousar. Depois pensei, que sim, temos aviões e temos muitos aeroportos para pousar, que os nossos aeroportos são os festivais de cinema...”

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Escrito por Mostra às 01h44
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BRASIL, O SEGREDO DA LONGEVIDADE 

BRASIL, O SEGREDO DA LONGEVIDADE

O 61º Festival de Cannes fez uma homenagem ao centenário Manoel de Oliveira cheia de surpresas. A sala lotada do Grand Théâtre Lumière tinha as presenças de Clint Eastwood, Sean Penn e Walter Salles entre muitos outros cineastas, jornalistas e convidados. Manoel de Oliveira, prestes a completar 100 anos, em dezembro, veio acompanhado por sua mulher Maria Isabel, o neto Ricardo Trepa, o ator e diretor Michel Piccoli e o diretor da cinemateca portuguesa João Bénard da Costa.

Gilles Jacob, presidente do festival, fez um discurso emocionado falando da importância de Oliveira e de seus filmes, a maioria feita depois de seus 70 anos de idade. Tierry Fremaux, diretor do festival de Cannes, improvisou a sua homenagem ao cineasta português lembrando que estamos testemunhando o centenário de três grandes personalidades: “Claude Levy Straus, Oscar Niemayer e Manoel de Oliveira. Niemayer já é brasileiro, Levy Straus foi muito ao Brasil (para fazer os seus estudos antropológicos) e Manoel de Oliveira vai muito ao Brasil (à Mostra Internacional de Cinema); portanto, Clint Eastwood e Sean Penn, se vocês querem chegar aos 100 anos podem começar a ir ao Brasil!”, completou.

A primeira surpresa da homenagem foi a exibição de um pequeno filme assinado por Gilles Jacob – “Um dia na vida de Manoel de Oliveira”, com um depoimento do cineasta em seu apartamento no Porto. É onde Oliveira lembra de sua última passagem por Cannes: “Recebi uma mensagem no hotel sem assinatura. Dizia que o cinema é movimento, o que não havia nos meus filmes. Que eu fazia still, fotos fixas. Eu completei a nota. Disse que a foto fixa não tem movimento algum. Mas que um plano fixo, ao contrário, tem muitos movimentos em seu interior.”

A maior surpresa foi a entrega de uma Palma de Ouro a Manoel de Oliveira. “Acho muito melhor ganhar um prêmio assim, sem competir com outros colegas”, agradeceu Oliveira. A homenagem foi encerrada com a exibição do curta de 18 minutos DOURO, FAINA FLUVIAL, que Manoel de Oliveira fez em 1930 e apresentou em setembro de 1931 no congresso internacional de críticos.

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Escrito por Mostra às 11h40
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SALLES É APONTADO COMO ‘O REI DO WORLD CINEMA’
LINHA DE PASSE, de Daniela Thomas e Walter Salles

SALLES É APONTADO COMO ‘O REI DO WORLD CINEMA’

Honrados com o melhor dia fora o da abertura, no primeiro sábado, três estilos de cineastas cult se cruzaram no 61º Festival de Cannes. O chinês Jia Zhang Ke (24 CITY) e os brasileiros Daniela Thomas e Walter Salles (LINHA DE PASSE) se encontraram na hora nervosa dos testes de projeção, mas sem que pudessem ver o que o outro filmou. Já Woody Allen (VICKY CRISTINA BARCELONA) exerceu o seu capricho ao atrasar a sessão seguinte, de Daniela e Walter, por recusar-se a descer as escadarias do palácio de festival sob chuva torrencial às dez e meia da noite. Só que quem entrou toda molhada na sala foi a platéia de LINHA DE PASSE.

Jia Zhang Ke apresentou o seu filme mais radical e difícil. Muitos planos fixos para uma mistura de entrevistas reais e fictícias sobre um tema crucial: uma cidade à deriva (Chengdu, que acaba de ser arrasada com um terremoto) e uma população de três gerações descartada depois de servir por 50 anos aos caprichos do regime comunista. Ao mesmo tempo, o renascimento da sua economia sob a voracidade de um capitalismo selvagem tão cruel e indiferente com as vidas envolvidas e destruídas quanto o sistema anterior. 24 CITY é o nome de um moderno conjunto habitacional que será construído no local de fábricas do estado onde muitos chineses deram a vida pelo progresso e pela manutenção de segredos militares do regime. É que Chengdu era uma cidade proibida por sediar fábricas de armamentos e componentes do pesado maquinário bélica. Vemos novamente a China em transe, tema sempre inventivo do cinema do genial Jia Zhang Ke.

LINHA DE PASSE é o novo filme da dupla brasileira Daniela Thomas e Walter Salles que se firma definitivamente no cenário internacional. Um modesto jornal de distribuição gratuita durante o festival, “Technikart Super Cannes”, dá a Salles a melhor e mais elogiosa definição: “o rei do world cinema, mesmo fazendo um filme num universo super local”.

O universo “super local” a que se refere é a periferia de São Paulo, sua pobreza horizontal e as chances de escape de se contar nos dedos. São quatro filhos homens de uma mesma mulher e aventuras diferentes. O filme vai nos falar de um flagelo social de envergonhar o Brasil – a ausência de pais em uma boa parcela das relações familiares. Os passes de ascensão dos quatro filhos são o futebol, o pastoreio nas igrejas paralelas, os trabalhos desqualificados (agora com a carreira dos motoboys) e o crime. Quem parece destinado para merecer um prêmio, além do próprio filme, é o ator-mirim e revelação Kaique de Jesus Santos, agora com 15 anos, descoberto através da ONG Casa do Zezinho. Ele, com a sua história de um menino negro à procura do pai entre centenas de motoristas de ônibus, encantou as platéias de Cannes. Mais justo ainda, como Cannes já fez em duas outras vezes, seria premiar em conjunto todo o elenco de LINHA DE PASSE, além do pequeno Kaique: Vinícius de Oliveira, João Baldasserini, Sandra Corveloni (a mãe) e José Geraldo Rodrigues.

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Escrito por Mostra às 11h22
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CINEASTAS COM ESTILO E CORES SOMBRIAS
LEONERA, de Pablo Trapero

CINEASTAS COM ESTILO E CORES SOMBRIAS

Seguido ao impacto de BLINDNESS e WALTZ WITH BASHIR, vamos à resenha dos filmes vistos nas diversas seções dos dois primeiros dias do 61º Festival de Cannes.

LEONERA (competição), do argentino Pablo Trapero, nos leva a uma prisão feminina para seguirmos o drama de mulheres encarceradas com seus filhos, no direito que ficar trancafiadas com crianças até elas completarem quatro anos de idade. Herança legal da ditadura militar argentina. Ficamos com a tragédia de Julia (Martina Gusman), acusada de matar o namorado. Quem a acusa é Ramiro (Rodrigo Santoro), que vivia promiscuamente com o casal. O conflito de Julia com sua mãe (Elli Medeiros), uma refugiada política que acabou ficando por Paris, reascende com a tentativa de tirar o seu pequeno filho do confinamento carcerário. Trapero merece atenção especial por todos os filmes radiográficos que faz (MUNDO GRUA, EL BONAERENSE, FAMILIA RODANTE, NACIDO Y CRIADO). Seus últimos filmes tem a simpatia do cineasta brasileiro Walter Salles, que o co-produz através da sua VideoFilmes.

Mais um filme sombrio na competição foi ÜÇ MAYMUN/ THREE MONKEYS/ TRÊS MACACOS, do turco Nuri Bilge Ceylan, um cineasta que aproxima a sua linguagem cifrada do cinema da incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni. Desta vez suas nuvens carregadas pairam sobre o terraço da casa de um motorista que serve integralmente a um político de província. O político atropela acidentalmente a uma pessoa, foge sem prestar socorro e pede que o seu empregado assuma em seu lugar, por mais dinheiro, a culpa e a condenação. Nove meses depois, o motorista sai da prisão e espanta-se com o horror. Sua mulher o trai com o político e seu filho único fracassou nos estudos. A violência latente e real aos poucos terá que se definir sobre o rumo a tomar. Como nuvens de uma tempestade anunciada, ela promete se dissipar aos poucos. Faltam detalhes ainda mais perturbadores nessa torrente turca, estilosa como um bom filme dos dramalhões mexicanos dos anos 50.

UN CONTE DE NOËL/ A CHRISTMAS TALE/ UM CONTO DE NATAL, de Arnaud Desplechin (competição), é um retrato de família através de três gerações, no melhor estilo do cinema francês, com tragédias e romance, tudo pincelado com jocosidade e ares blasé.

Catherine Deneuve faz Junon, a matriarca marcada para sempre pela morte de seu primeiro filho aos seis anos, de leucemia, quando a medicina não tinha tantos recursos contra o câncer. Hoje é a sua vez de manifestar a mesma doença e a transfusão de medula motiva a família a se reunir novamente. É tempo de natal e há tensão sobre quem será o seu doador e com os reencontros. A escolha médica será entre o filho renegado ou o neto com distúrbios mentais. Como em seu filme anterior, L’AIMÉE, velhas fotografias de família ajudam a decifrar muitos enigmas das relações familiares.

CZTERY NOCE Z ANNA/ FOUR NIGHTS WITH ANNA/ QUATRO NOITES COM ANNA, traz de volta o veterano polonês Jerzy Skolimowski, 17 anos depois de seu último filme, associado ao produtor português Paolo Branco. Também o filme de abertura da 40ª Quinzena dos Realizadores veio carregado com tintas sombrias. Seguimos a obsessão de um simplório empregado de um hospital de aldeia, encarregado dos serviços de incineração. Até o dia em que testemunha a violação da enfermeira Anna, a quem passa a perseguir e espionar. Um dia planeja induzi-la ao sono a fim de invadir o seu quarto. O plano dá certo. Ao espectador o veredicto pela sua audaciosa e perigosa conduta.

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Escrito por Mostra às 11h21
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ANIMAÇÃO DE ISRAEL RECRIA MASSACRES DE PALESTINOS
WALTZ WITH BASHIR/ VALSANDO COM BASHIR,
de Ari Folman

ANIMAÇÃO DE ISRAEL RECRIA MASSACRES DE PALESTINOS

Depois de BLINDNESS, de Fernando Meirelles, os filmes reservados em todas as seleções de Cannes para o primeiro dia tingiram o festival com o peso de cores sombrias. O grande choque ficou por conta de WALTZ WITH BASHIR/ VALSANDO COM BASHIR, do israelense Ari Folman. É uma animação com linguagem de documentário, o que parece inédito nas infinitas combinações do cinema.

O próprio cineasta faz o personagem que quer recuperar a memória perdida traumaticamente quando servia no exército, no início dos anos 80, e que invadiu o Líbano pela primeira vez. Aos poucos a sua memória recupera o mosaico que culmina com a cobertura que o exército israelense deu às milícias cristãs para invadir os campos de refugiados de palestinos de Sabra e Shatila e massacrar indistintamente a quem encontrassem pela frente. Remover um tema tabu como este parece um péssimo presente de aniversário para os 60 anos de Israel.

As memórias de Folman são as de um soldado pós-adolescente que como muitos da sua geração foi ao Líbano como quem escolhe uma próxima praia para o fim de semana. A realidade, logo aprendida, foi a do confronto cruel e sanguinário, das miras cegas, da morte de inocentes de todos os lados. “A experiência da guerra”, recriada em forma de desenho animado, diz o seu realizador, “não tem nada a ver com o que vemos nos filmes americanos. Não há glamour e nem glória. Apenas jovens indo para lugares que não conhecem, atirando em desconhecidos, sendo também alvos de desconhecidos e voltando para casa e tratando de esquecer o que viram e fizeram. E na maioria das vezes não conseguem.”

Animações para adultos são um problema em todo o mundo. Quem deixou de ser criança acha que não tem nada a ver continuar assistindo filmes de animação. Só que há cada vez mais animações para adultos. O desenho corrosivo contra o Irã PERSÉPOLIS, de Marjane Satrapi, revelado em Cannes do ano passado, amargou fracasso em muitos territórios por causa deste preconceito descabido. Quem sabe a VALSA de Folman ajude a formar e provocar a curiosidade de mais adultos por desenhos feitos especialmente para eles.

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Escrito por Mostra às 16h00
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<i>BLINDNESS</i> É BRILHANTE!
BLINDNESS/ ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, de
Fernando Meirelles

BLINDNESS É BRILHANTE!

Da primeira sessão do filme BLINDNESS/ ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, de Fernando Meirelles, que abriu a competição do 61º Festival de Cannes, a imprensa saiu sob estado de choque. A coletiva de imprensa em seguida foi contagiante de emoções, sala lotada com jornalistas de todo o mundo, com um Meirelles generoso que dava a vez para o seu elenco se manifestar calmamente, e com um Danny Glover em estado de graça e que deu uma das melhores respostas: “A cegueira está à nossa volta, nos políticos, a guerra do Iraque, ninguém vê a miséria do mundo com tanta gente sobrevivendo com menos de um dólar por dia”. Uma jornalista não se conteve no elogio e já antecipou a indicação de Julianne Moore, “uma interpretação extraordinária”, ao próximo prêmio Oscar.

E na sessão oficial da primeira noite de Cannes, uma grande ovação para BLINDNESS. O filme é brilhante. Primeiro, pela extraordinária habilidade de levar o livro de José Saramago às telas. Depois, pela inovadora e audacionsa fotografia de César Chalone e a efusão que não cansa dos difíceis tons de branco e de cenas desfocadas. E ainda pela direção segura, sempre surpreendente e inventiva de Fernando Meirelles, por todos os atores que dirigiu, pela beleza plástica de São Paulo ao longo do filme, pelo teor político do thriller e todas as metáforas sobre uma cegueira branca que contagia e faz os confinados evidenciarem em prisão as bestialidades egoístas do mundo exterior em tempos de visão.

A projeção em Cannes foi em digital. “Foi uma opção que assumimos para não correr o risco de estragar as cenas em branco absoluto. Se fosse em película, a cópia correria o perigo de sofrer riscos e sujar ao longo das projeções”. Inclusive pela sua projeção em digital, BLINDNESS foi brilhante.

“O festival de Cannes”, segundo Hector Babenco, “foi generoso e reconheceu o erro que cometeu ao não convidar CITY OF GOD/ CIDADE DE DEUS para a competição em 2002 e corrigiu isto este ano convidando-o para abrir o festival”. Mesmo assim Fernando Meirelles ganhou projeção mundial com CIDADE DE DEUS. Agora, com BLINDNESS não há cegueira que resista.

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Escrito por Mostra às 12h20
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HOMENAGEM AO CENTENÁRIO MANOEL DE OLIVEIRA
Manoel de Oliveira

HOMENAGEM AO CENTENÁRIO MANOEL DE OLIVEIRA

Este ano a seleção CANNES CLASSIC promete muitas emoções. Manoel de Oliveira completa 100 anos no dia 12 de dezembro de 2008. O 61º Festival de Cannes e a paralela 40ª Quinzena dos Realizadores vão prestar-lhe emocionadas homenagens no seu primeiro fim de semana. Ele é o mais longevo cineasta do mundo em atividade. Prepara agora o filme SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA, inspirado num conto de Eça de Queirós. E Cannes irá celebrar o seu centenário exibindo uma cópia restaurada do primeiro filme feito por Manoel de Oliveira, ainda no tempo do cinema mudo, DOURO, FAINA FLUVIAL, de 1931. É um curta de 18 minutos, que antecede a apresentação da versão restaurada de ASHES OF TIME REDUX, western estilizado aos cenários da China por Wong em 1994 e agora remontado e restaurado.

As agitações de Maio de 1968 chegaram a Cannes e tiveram duas conseqüências. A primeira foi a interrupção do festival, com agitações lideradas por François Truffaut e Jean-Luc Godard. A outra foi o surgimento de um ‘festival’ paralelo batizado como QUINZENA DOS REALIZADORES (ou Quinzaine des Réalisateurs ou Directors Fortnight), fundada pela associação francesa dos autores de filmes. O que eles queriam e que deu certo? Ampliar o leque de diversidade dos filmes selecionados sob o lema criado pelo primeiro diretor da ‘Quinzena’: “Todos os filmes nascem livres e iguais. Precisamos ajudá-los para que continuem assim”.

Assim é que o Festival repete, 40 anos depois, a sessão que não houve em 1968 de PEPPERMINT FRAPPÉ, dirigido por Carlos Saura. O cineasta espanhol estará presente para a correção dessa injustiça, logo com ele, que era uma voz ativa contra o franquismo. Será que Godard também vai aparecer para pedir-lhe desculpas?

Mais quatro filmes que não puderam ser exibidos em 1968 serão apresentados agora em 2008: 13 JOURS EN FRANCE, de Claude Lelouch, em cópia restaurada, na presença do autor homenageado;
ANNA KARENINA, do russo Aleksandr Zarkhi; THE LONG DAY’S DYING, do inglês Peter Collinson; e 24 HOURS IN THE LIFE OF A WOMAN, do francês Dominique Delouche.

A outra homenagem será em forma de comemoração, justamente pelos 40 anos de existência da ‘Quinzena’, com a presença dos diretores selecionados nesta sua história. Entre eles, Manoel de Oliveira, o incansável.

A Cinemateca Francesa, geradora da crise de maio de 1968, quando pipocaram as primeiras passeatas contra a demissão do seu então diretor Henri Langlois, virá com uma cópia restaurada de LOLA MONTÈS, de Max Ophüls, com o mesmo deslumbrante Technicolor de 1955.

Outros oito títulos serão apresentados em cópias restauradas:
GUIDE, de Vijay Anand (1965, Índia), EFFECT OF GAMMA RAYS ON MAN-IN-THE-MOON MARIGOLDS, de Paul Newman (1972, EUA), LET’S GET LOST, de Bruce Weber (1988, EUA), SANTA SANGRE, de Alejandro Jodorowsky (1989, México), ORPHEE, de Jean Cocteau (1949, France), FINGERS, dey James Toback (1977, EUA), GAMPERALIYA, de Lester James Peries (1965, Sri Lanka) e
THE SAVAGE EYE, de Ben Maddow, Sydney Meyers e Joseph Strick (1960, EUA).

CANNES CLASSIC programa ainda interessantes documentários sobre cinema. NO SUBTITLES NECESSARY: LASZLO & VILMOS do americano James Chressanthis rastreia a carreira dos ótimos diretores húngaros de fotografia Laszlo Kovacs e Vilmos Zsigmond que contribuíram para muitos sucessos de Hollywood nos anos 70 e 80.

THE CINEMA CINEMAS COLLECTION, do francês Claude Ventura, com dois episódios do programa produzidos nos anos 80.


YOU MUST REMEMBER THIS": A HISTORY OF WARNER BROS, do americano Richard Schickel, com duas horas sobre os melhores momentos na história dos 85 anos dos estúdios da produtora Warner Bros. O aniversário também ser lembrado nas gostosas sessões ao ar livre na praia de Cannes, com a tela fincada no mar, com as melhores animações do LOONEY TUNES e mais nove sucessos da produtora: DIRTY HARRY, de Don Siegel; I AM A FUGITIVE FROM A CHAIN GANG, de Mervyn LeRoy; WHAT’S UP, DOC?, de Peter Bogdanovich; BONNIE AND CLYDE, de Arthur Penn; ENTER THE DRAGON, de Robert Clouse; BLAZING SADDLES, de Mel Brooks; CAPTAIN BLOOD. de Michael Curtiz;
MATRIX,dos irmãos Wachowski; e WHATEVER HAPPENED TO BABY JANE?, de Robert Aldrich.

O centenário de nascimento de David Lean (1908 – 1991) será lembrado com THE PASSIONATE FRIENDS (1949) e THIS HAPPY BREED (1944). A documentarista francesa Anne Kunvari lembrará um dos maiores sucessos de Lean com IL ETAIT UNE FOIS... LAURENCE D’ARABIE.

Cannes presta homenagem também à centenária Kashiko Kawakita e ao Kawakita Memorial Film Institute, protetora e promotora do cinema e dos cineastas japoneses pelo mundo. O aniversário será comemorado na sessão especial de ZIGEUNERWEISEN, dirigido em 1980 por Seijun Suzuki.

Com o propósito de estimular e ajudar a salvação de tesouros do cinema mundial, a World Cinema Foundation, presidida por Martin Scorseses apresenta pelo segundo ano consecutivo o resultado de seus trabalhos. Veremos restaurados o filme turco de 1964, SUSUZ YAZ (Dry Summer), de Metin Erksan; o coreano HANYO, de Kim Ki-young, de 1960; e o senegalês de 1973 TOUKI BOUKI, de Djibril Diop Mambéty.

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www.festival-cannes.com


Escrito por Mostra às 12h19
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Festival anuncia recorde de inscrições
A FESTA DA MENINA MORTA, do ator brasileiro e
estreante na direção Matheus Nachtergaele –
Seleção UN CERTAIN REGARD

Festival anuncia recorde de inscrições

Cannes teve um aumento de 11% de inscrições para o festival de 2008, procedentes de 96 países. Foram 1792 longas-metragens contra 1615 em 2007. Em contrapartida registrou-se uma queda de 6% na inscrição de curtas: 2233 curtas em 2008, de 80 países, contra 2368 em 2007. Outras estatísticas de Cannes anunciam 55 filmes em exclusividade mundial, nove de realizadores estreantes e dez participantes estreantes na competição

De volta à seleção oficial de Cannes, eis os 20 escolhidos para a sua paralela UN CERTAIN REGARD, onde também um júri, presidido pelo cineasta alemão Fatih Akin, premiará os que achar melhores:

HUNGER, de inglês Steve McQueen (filme de abertura)
TOKYO!, fábula de segmentos sobre a cidade japonesa com direções do coreano Joon Ho Bong e dos franceses Leos Carax e Michel Gondry
AFTERSCHOOL, do estreante brasileiro Antonio Campos, produção EUA
TING CHE/ PARKING, do estreante Mong-Hong Chung
SOI COWBOY, de Thomas Clay (Tailândia, Reino Unido)
LA VIE MODERNE, de Raymond Depardon (França)
WOLKE 9, de Andreas Dresen (Alemanha)
TULPAN, do estreante Sergey Dvortsevoy (Alemanha, Suíça, Casaquistão, Rússia, Polônia)
LOS BASTARDOS, de Amat Escalante (México, França, EUA)
JE VEUX VOIR, de Joana Hadjithomas, Khalil Joreige (Líbano, França)
O` HORTEN, de Bent Hamer (Noruega, Alemanha, França)
MILH HADHA AL-BAHR/ LE SEL DE LA MER, da estreante Annemarie Jacir (Palestina, França, Suíça, Bélgica, Espanha)
TOKYO SONATA, de Kiyoshi Kurosawa (Japão)
OCEAN FLAME, de Fen Dou Liu (Hong Kong)
A FESTA DA MENINA MORTA, do ator e estreante na direção Matheus Nachtergaele (Brasil)
DE OFRIVILLIGA/ INVOLUNTARY, de Ruben Östlund (Suécia)
WENDY AND LUCY, de Kelly Reichardt (EUA)
JOHNNY MAD DOG, de Jean-Stéphane Sauvaire (França), com o drama de crianças combatentes na África.
VERSAILLES, do estreante Pierre Schoeller (França)
TYSON, de James Toback (EUA), documentário sobre o pugilista Mike Tyson

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Escrito por Mostra às 12h18
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‘QUINZAINE’ E ‘SEMAINE’ DISPUTAM AS ATENÇÕES

 ‘QUINZAINE’ E ‘SEMAINE’ DISPUTAM AS ATENÇÕES

Duas seleções paralelas disputam anualmente em Cannes as atenções com seleções tão diversificadas e interessantes quando a da competição. Muitas vezes os filmes da QUINZAINE DES RÉALISATEURS e da SEMAINE DE LA CRITIQUE fazem história. É de suas seleções que na maioria das vezes saem os prêmios Caméra d’Or, destinados aos realizadores de primeiros filmes.

A seleção da 40ª QUINZENA DOS REALIZADORES apresenta a seguinte seleção de longas-metragens:

Acne, de Federico Veiroj, Uruguai

Aquele querido mês de agosto, de Miguel Gomes Portugal

Boogie, de Radu Muntean, Romênia

Les Bureaux de Dieu, de Claire Simon, França

ElCant dels ocells, de Albert Serra, Espanha

Four Nights With Anna, de Jerzy Skolimowski, França

De la guerre, de Bertrand Bonello, França

Dernier maquis, de Rabah Ameur-Zaïmeche, França

Eldorado, de Bouli Lanners, Bélgica

Élève libre, de Joachim Lafosse, Bélgica

Liverpool, de Lisandro Alonso, Argentina

Monsieur Morimoto, de Nicola Sornaga, França

Knitting, de Yin Lichuan, China

Now Showing, de Raya Martin, Filipinas

The Pleasure of Being Robbed, de Josh Safdie, EUA

Il Resto della notte, de Francesco Munzi, Itália

Salamandra, de Pablo Aguero, Argentina

Shultes, de Bakur Bakuradze, Rússia

Blind Loves, de Juraj Lehotsky, Eslováquia

Lonely Tune of Tehran, de Saman Salour, Irã

Tony Manero, de Pablo Larrain, Chile

Le Voyage aux Pyrénées, de Jean-Marie et Arnaud Larrieu, França

E a seleção da SEMANA DA CRÍTICA terá Better Things, de Duane Hopkins, Reino Unido – Alemanha; Das Fremde in mir/ O Estranho em mim, de Emily Atef, Alemanha; Vse Umrut A Ja Ostanus/ Todos morrem menos eu, de Valeria Gaï Guermanika, Rússia; La sangre brota, de Pablo Fendrik, Argentina – França; Les grandes personnes/ Grown Ups, de Anna Novion, França – Suécia; Moscow, Belgium, de Christophe Van Rompaey, Bélgica; e Snijeg/ Snow, de Ainda Begic, Bósnia-Herzegovina-Alemanha-França.

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Escrito por Mostra às 12h17
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TODOS OS FILMES FORA DE COMPETIÇÃO
VICKY CRISTINA BARCELONA, de Woody Allen

TODOS OS FILMES FORA DE COMPETIÇÃO

É sabido que sempre sobram muito mais bons filmes além dos 22 selecionados para a competição de um festival importante como o de Cannes (Jornal da Mostra nº 564 e 566 ). A produção anual, apesar de todas as crises anunciadas nos seguimentos da indústria do cinema, segue crescendo. Em todos os países a questão é considerada mais de identidade cultural do que de indústria. Graças a este conceito, o fomento cinematográfico segue em alta e os cinéfilos de todo o mundo vão seguir se banqueteando.

Ainda no panorama da seleção oficial do 61º Festival de Cannes, mais quatro títulos vão disputar as atenções. O coreano THE GOOD, THE BAD, THE WEIRD, de Kim Jee-woon e três de diretores Americano. O novo de Woody Allen, VICKY CRISTINA BARCELONA, e dois novos candidatos a blockbusters: KUNG FU PANDA, de Mark Osborne e John Stevenson, e INDIANA JONES AND THE KINGDOM OF THE

CRYSTAL SKULL, de Steven Spielberg.

Outros sete títulos terão apresentações especiais: OF TIME AND THE CITY, do inglês Terence Davies; CHELSEA ON THE ROCKS, do americano Abel Ferrara; SANGUEPAZZO, do italiano Marco Tullio Giordana; C`EST DUR D`ÊTRE AIMÉ PAR DES CONS, do estreante francês Daniel Leconte; ASHES OF TIME REDUX, reedição do western clássico do chinês Wong Kar Wai; ROMAN POLANSKI: WANTED AND DESIRED, documentário da americana Marina Zenovich e THE THIRD WAVE, da australiana Alison Thompson, documentário com quatro voluntários que percorrem três anos depois o Sri Lanka e suas zonas devastadas pelo tsunami de 2004. O filme será apresentado como uma sessão especial do presidente do júri Sean Penn.

Outros três títulos serão atrações das sessões de meia-noite - MARADONA BY KUSTURICA, é o documentário do sérvio Emir Kusturica sobre o controverso ídolo de futebol argentino; SURVEILLANCE, da americana Jennifer Lynch, filha do diretor David Lynch; e THE CHASER, remake americano para THE MURDERER, com direção do mesmo coreano Na Hong-Jim. Este último certamente será um dos eleitos de Quentin Tarantino, ator e cineasta que este ano apresenta a concorrida lição de cinema em Cannes.

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Escrito por Mostra às 12h17
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ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA INAUGURA FESTIVAL
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, de Fernando Meirelles

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA INAUGURA FESTIVAL

Depois de anunciar 19 longas em sua lista de filmes em competição, o 61º Festival de Cannes completou a lista com mais três títulos. Entre eles, o esperado ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA/ BLINDNESS, do brasileiro Fernando Meirelles, também apontado como filme inaugural de Cannes. O filme de Meirelles, com um elenco internacional composto por Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal, Yoshino Kimura e Yasuke Iseya, mais os brasileiros Plinio Soares, Alice Braga e Antonio Abujamra, promove a segunda adaptação ao cinema de um livro de José Saramago. Uma anterior foi dirigida pelo holandês George Sluizer com JANGADA DE PEDRA/ THE STONERAFT, em 2002 (seleção da 26ª Mostra).

Os outros dois filmes que completam a seleção de candidatos à Palma de Ouro são o francês ENTRE LES MURS, de Laurent Cantet, e TWO LOVER, do americano James Gray.

Já a seção paralela Un Certain Regard será inaugurada com o britânico HUNGER, do estreante Steve McQueen. O filme segue as seis últimas semanas de vida do terrorista irlandês do IRA Bobby Sands, em greve de fome.

Cannes completou também a lista de seus jurados para a Palma de Ouro. Sob a presidência de Sean Penn, vai trabalhar mais a atriz francesa Jeanne Balibar e a autora e diretora iraniana Maniane Satrapi (de PERSÉPOLIS). O encerramento do Festival de Cannes, para entregar os prêmios, tem confirmada a presença do ator e diretor Robert de Niro. Ele também é o ator do filme escalado para a noite de 25 de maio – JUST HAPPENED, de Barry Levinson – ao lado de Bruce Willis, Robin Wright Penn, John Turturro e Sean Penn.

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Escrito por Mostra às 12h34
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