A brasileira Florinda Bolkan, musa do cinema italiano nos anos 60 e 70, é convidada
da Mostra e participará do júri

Mostra Internacional de Cinema comemora 30 anos

com prêmio recorde para o cinema brasileiro

Petrobras dá prêmio de R$ 600 mil para distribuição de filmes nacionais; evento vai de 20 de outubro a 2 de novembro

A Mostra Internacional de Cinema, tradicional evento do calendário cinematográfico do país, que acontece de 20 de outubro a 2 de novembro em São Paulo, celebra sua 30ª edição com um grande prêmio para o cinema brasileiro.

É o Prêmio Petrobras Cultural de Difusão, num valor total de R$ 600 mil. Serão entregues um prêmio de distribuição no valor de R$ 400 mil para um longa de ficção e outro no valor de R$ 200 mil para um longa documentário. O prêmio, o maior já concedido em um festival de cinema no país, foi criado pela Petrobras em comemoração aos 30 anos da Mostra.

Serão concorrentes todos os longas brasileiros a serem exibidos na 30ª Mostra, inéditos em circuito comercial. Os vencedores serão eleitos por votação popular. Serão contabilizados os votos dados pelo público em quatro sessões de cada filme.

No ano passado, a 29ª Mostra exibiu 50 longas e 18 curtas-metragens brasileiros. O Troféu Bandeira Paulista, outorgado pelo júri internacional da 29ª Mostra, foi concedido pela primeira vez a um longa brasileiro: “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes.

Retrospectiva

Ao contrário dos anos anteriores, em que a Mostra reuniu a obra completa de grandes cineastas, na 30ª edição o evento se debruça sobre um gênero: o cinema político italiano dos anos 60 e 70, conhecido na Itália como “cinema de empenho civil”.

Serão exibidos filmes dos cineastas representativos da época, como Marco Bellochio (De Punhos Cerrados, A China Está Próxima), Bernardo Bertolucci (Antes da Revolução), Ettore Scola (Feios, Sujos e Malvados; Nós que nos Amávamos Tanto), Dino Risi (Esse Crime Chamado Justiça), irmãos Taviani (Os Subversivos), Francesco Rosi (O Caso Mattei, Mãos sobre a Cidade) e outros.

Por conta da retrospectiva, vem a São Paulo como convidada da Mostra Florinda Bolkan, atriz brasileira radicada na Itália, que foi uma das musas desse gênero e participou do filme Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita (1970), de Elio Petri, presente na retrospectiva. Florinda participará também do júri da 30ª Mostra.

Livros

Junto com a retrospectiva, a 30ª Mostra publica o livro O Cinema Político Italiano – anos 60 e 70, organizado por Álvaro Machado e Leon Cakoff e editado pela Cosac Naify. O livro reúne uma série de entrevistas realizadas por duas pesquisadoras de cinema italianas, Angela Prudenzi e Elisa Resegotti, ligadas à Cineteca de Roma e ao Museu de Cinema Italiano em Turim.

O outro livro a ser lançado durante a 30ª Mostra, Cinema Sem Fim, trará um histórico das três décadas do evento e será publicado pela Imprensa Oficial do Estado.

Apresentações especiais

A exemplo dos últimos anos, a 30ª Mostra traz a São Paulo exibições de clássicos do cinema pouco conhecidos do grande público com acompanhamento musical ao vivo. São eles:

- Cabiria, de Giovanni Pastrone (Itália, 1914) – cópia restaurada de um dos grandes clássicos do cinema italiano, considerado por Fellini uma das grandes inspirações de sua obra – deste filme derivou o nome da famosa personagem de Giulietta Masina em “Noites de Cabiria”. Durante as Guerras Púnicas em Cartagena (300 AC), a jovem Cabiria está prestes a ser sacrificada ao deus Moloch, mas é salva por um soldado romano e seu servo. O filme foi recuperado pelo brasileiro João Sócrates, um dos grandes nomes da restauração de filmes no mundo, que vive em Londres;

- Silent Shakespeare, seção com sete curtas-metragens mudos baseados na obra do dramaturgo inglês e produzidos entre 1899 e 1911 nos EUA, Itália e Inglaterra;

- Histórias Tenebrosas, de Richard Oswald (Alemanha, 1919) – O clássico do terror reúne o chamado “trio infernal” do filme mudo alemão: Anita Berber, Conrad Veidt e Reinhold Schünzel. Em trajes de meretriz, morte e demônio, eles vasculham à meia-noite um sebo à procura de matérias para o cinema: cinco peças de um ato, cinco acontecimentos sinistros que giram em torno de maridos dúbios, de mãos decepadas e de casas misteriosas.

Observação: as salas de exibição das sessões especiais ainda não foram definidas.

7º ano Festival da Juventude

Com o objetivo de tornar o cinema mais acessível aos alunos de escolas públicas, a Mostra, em parceria com a Secretaria Estadual da Educação, promove o 7º ano do Festival da Juventude. Serão realizadas sessões gratuitas no Memorial da América Latina, pré-agendadas com escolas estaduais destinadas aos estudantes secundaristas.

Como nas edições anteriores, o Festival da Juventude terá duas sessões diárias no Cine Bombril, abertas para secundaristas que apresentarem carteirinha de estudante.

Informações no site

O publico poderá obter informações sobre a programação e os eventos da 30ª Mostra Internacional de Cinema no site www.mostra.org , no ar por volta do dia 10 de outubro, ou na Central da Mostra, que será instalada no Conjunto Nacional no dia 9 de outubro.

Já os jornalistas terão acesso à sala de imprensa virtual, com atualização constante de informações gerais, programação, eventos e releases.

Ingressos

Os ingressos da Mostra estarão à venda nas salas de exibição, pela internet ou na Central, único local onde será realizada a venda de pacotes promocionais. Os preços ainda não estão definidos.

O público poderá adquirir ingressos unitários, pacotes de 20 ou 40 ingressos, permanente integral (dá direito a todas as sessões) ou permanente especial (direito a sessões até às 17h55).

Central da Mostra

A Central da Mostra no Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073, esquina com a rua Augusta), ao lado da Livraria Cultura e do Cine Bombril, ficará aberta para informações de 9 a 13 de outubro, das 12h às 18h.

Para a venda de ingressos, a Central funcionará de 14 de outubro a 2 de novembro, das 10h às 21h.

Patrocinadores

A 30a Mostra é uma realização da ABMIC com o patrocínio da Petrobrás Distribuidora; apoio da Faap; promoção da Folha de S.Paulo e do Sesc São Paulo; apoio cultural do Governo Federal, Lei de Incentivo à Cultura, Secretaria de Estado da Cultura, São Paulo Turismo, Governo do Estado de São Paulo; apoio institucional da Imprensa Oficial, Prefeitura da Cidade de São Paulo; e colaboração do Hotel Crowne Plaza e da Editora Cosac Naify.



Escrito por Mostra às 11h13
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AINDA TEMOS TEMPO
LEON CAKOFF













































 

LEON CAKOFF LANÇA LIVRO DE CRÔNICAS SOBRE OS HUMORES DO MUNDO


“Leon Cakoff escreve como Werner Herzog filma”, diz o cineasta Carlos Reichenbach no prefácio do livro de Leon Cakoff “Ainda Tempos Tempo”, lançado ontem em São Paulo no Unibanco Arteplex. O “olhar insurreto” do autor das crônicas de Ainda temos tempo (em outra definição do diretor Reinchenbach), é exercitado em dezenas de viagens nada convencionais pelos quatro cantos do planeta, sempre sob o pretexto de buscar filmes interessantes para exibir na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, evento criado por ele há exatos trinta anos.

O lançamento de Ainda temos tempo marca a estréia do homem de cinema Leon Cakoff como autor e enfeixa 15 crônicas. Os relatos incluem curiosas passagens por estados de exceção, como a Tchecoslováquia sob a Cortina de Ferro; a Alemanha dos tempos da DDR; a Argentina sob a ditadura militar; a Polônia sob o burocratismo soviético; ou a Argélia do fundamentalismo islâmico em seus primórdios. Registram-se, ainda, encontros memoráveis do autor com personalidades como Luis Buñuel (no Festival de Cannes), ou Federico Fellini (nas locações de Ginger e Fred, na mítica Cinecittà).

Formado em Sociologia e Antropologia em São Paulo, com extensa passagem pelo jornalismo cultural, Cakoff desenvolveu metodicamente certa “curiosidade antropológica”, que, lançada sobre os mais diversos povos, contagia o leitor com sua inquietude e inconformismo. Estamos, em seu livro, em tempos de pré-globalização, o que dá oportunidade para intensos "choques culturais”, ora dramáticos ora hilariantes, e muitas vezes geradores de total perplexidade de parte a parte.

O volume ganhou ilustrações em cores de Daniel Trench, que para suas colagens utilizou o acervo pessoal de Leon, composto de objetos recolhidos durantes as viagens do livro.

O resultado é um livro de crônicas, informal e informativo, cujo personagem principal, além da figura ímpar de Leon Cakoff é o cinema como resistência aos estados de exceção e, acima de tudo, como unificador de culturas, a despeito das diferenças locais.

Arnaldo Jabor, em texto na quarta capa do mesmo livro “Ainda Tempos Tempo” diz que “Leon agiu politicamente usando os filmes como arma de defesa, atravessando a censura da ditadura, protegendo uma revolução mais profunda: a revolução permanente da inteligência e da beleza independente das imagens.”


SOBRE O AUTOR

Leon Cakoff é jornalista com formação em Sociologia e Antropologia. Atuou como repórter e crítico de cinema em várias revistas e jornais. Criou, em 1977, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, evento que chega à sua 30ª edição consecutiva em 2006. Paralelamente, criou as Edições da Mostra, que publicou Gabriel Figueroa – o mestre do olhar (1995), de sua autoria, e O Afeganistão, do cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf (2001). O projeto editorial prossegue, em parceria com a Cosac Naify, com o lançamento de monografias e ensaios relacionados a presenças e retrospectivas marcantes da Mostra de São Paulo: ALEKSANDR SOKÚROV, PIER PAOLO PASOLINI, O ANTICINEMA DE YASUJIRO OZU, ABBAS KIAROSTAMI, AMOS GITAI e MANOEL DE OLIVEIRA.

Volte sempre, Abbas!, dirigido em parceria com Renata de Almeida, é o seu primeiro curta-metragem, selecionado para o 56° Festival de Veneza (1999). Em 2004 iniciou a produção do documentário de longa-metragem Bem-vindo a São Paulo, com vários diretores internacionais convidados, a ser lançado em cinemas no final de 2006. O próximo livro a ser lançado pela Mostra em parceria com a Cosac Naify será O CINEMA POLÍTICO ITALIANO – ANOS 60 E 70.






































Escrito por Mostra às 13h02
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MANOEL DE OLIVEIRA ASSINA CARTAZ DO FESTIVAL E NOVO FILME SOBRE DESEJO E PERVERSÃO

O mestre português Manoel de Oliveira assina o cartaz comemorativo dos 30 anos da Mostra Internacional de Cinema e marcará presença no festival com o seu novo filme BELLE TOUJOURS – SEMPRE BELA, concluído aos 97 anos de idade e apresentado pela primeira vez ao público no recém terminado 63º Festival de Veneza. A arte de Oliveira sugere um olhar crítico a partir do cinema projetado na Mostra, com o olho do espectador que se funde com a logomarca do próprio festival criado por Tomie Ohtake.

O cartaz da 30ª Mostra Internacional de Cinema/ 30th São Paulo Internacional Film Festival com assinatura do mestre Oliveira segue uma tradição iniciada na 10ª Mostra, em 1986, com Federico Fellini. A arte do cineasta italiano, um palhaço triste, foi seguida em 1991 por outra italiana, na 15ª Mostra, de Michelangelo Antonioni, já com derrame, mas pintando com a mão esquerda, uma pintura alpina desolada como no histórico dos seus personagens sofridos pela incomunicabilidade. Outros grandes nome ligados ao cinema também assinaram os cartazes da Mostra: Takeshi Kitano, Emik Kusturica, Aleksander Sokúrov, Atom Egoyan, Amos Gitai e Isabella Rossellini.

Já BELLE TOUJOURS – SEMPRE BELA foi ovacionado no Festival de Veneza e apontado como obra-prima pela imprensa italiana. Oliveira usa o pretexto de homenagear o cineasta Luis Buñuel e o seu roteirista Jean-Claude Carrière pelo filme “Belle de Jour”, de 1967, para falar sobre desejo e perversão. “Essas coisas que só os ricos conseguem imaginar porque tem tempo e vivem no ócio”, diz Oliveira.

Catherine Deneuve não aceitou o convite de Oliveira de repetir o seu papel em “Belle de Jour – A Bela da Tarde” 38 anos depois. Foi um erro fatal para ela que só a desgastou ao longo do Festival de Veneza, ficando a impressão de que ela tinha medo do peso do tempo, que era só uma questão de vaidade. A sua exposição no mesmo festival como jurada não conseguia evitar essas comparações. Ainda mais que o ator Michel Piccoli aceitou repetir o mesmo personagem do filme original adaptado de uma novela de Joseph Kessel. No lugar de Catherine Deneuve Manoel de Oliveira foi buscar Bulle Ogier, que se saiu muito bem no papel da adúltera remoída pelas culpas do passado.

Os personagens voltam a se encontrar no filme de Oliveira por mero acaso durante um concerto musical em Paris. Começa a investigação de Husson atrás de Séverine, passando pelos lugares que freqüenta com a mesma altivez burguesa de antigamente. “O homem é o único animal estúpido” sentencia Oliveira em uma das tantas entrevistas que dá em Veneza. E isso está no seu novo filme, na magnífica parte final, crepuscular, onde Séverine aceita o convite para jantar com Husson na esperança de saber se os seus segredos de alcova e suas traições chegaram aos ouvidos de seu marido. Os cineastas têm especial fascínio, e os espectadores também, por filmes em que a comida é valorizada e aparece com requinte, respeito e destaque sedutor. Senão por todas as suas outras qualidades, o banquete de BELLE TOUJOURS – SEMPRE BELA é mais um a ser inserido nesta galeria de antologias.



Escrito por Mostra às 12h45
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