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 Diego Quemada-Diez, diretor do curta “Eu Quero Ser Piloto”
Ajudando o Mundo com as Próprias Mãos
Pouco antes de viajar para o Heartland Film Festival, na cidade de Indianápolis, nos Estados Unidos, onde receberá um prêmio em dinheiro por seu curta Eu Quero Ser Piloto, o diretor Diego Quemada-Diez trocou umas idéias com o Jornal da Mostra. Ele é diretor de fotografia, e deixou claro inúmeras vezes a importância que teve em sua carreira trabalhar com o uruguaio radicado no Brasil César Charlone. Quemada-Diez foi seu assistente, entre outros, em Chamas da Vingança (2004), de Tony Scott. Antes de acompanhar Charlone em O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles, ele já havia se fascinado com o nervosismo da câmera “neo-neo-realista” de Cidade de Deus.
Ele mostra-se visivelmente emocionado, até hoje, ao comentar seu primeiro contato com a favela de Kibera, na cidade de Nairobi, no Quênia. Ele nunca havia visto uma antes. Quemada-Diez comenta que, durante as caminhadas com Charlone em busca de locações pelos becos, córregos e ruelas do local, volta e meia ele precisava abaixar a câmera e enxugar suas lágrimas. Testemunhar tamanha desolação o levou a questionar o que ele sozinho poderia fazer para ajudar. Diego relembra que, em rodas sociais que ambos freqüentaram na favela, os adultos, geralmente já bem embriagados com a forte aguardente local, sempre pediam para ajudar as crianças. As crianças de lá nada têm.
Foi então que surgiu a idéia do curta, que ele concretizou um ano depois de tomar contato pela primeira vez com a região. Com sua câmera, registrou sua reação e percepção do cenário. Nos depoimentos que colheu, em sua maioria de órfãos, Quemada-Diez de repente notou como a grande maioria de fato queria ser piloto. Voar alto, escapar. Com o título de sua obra definido, foi fácil construir o poema-roteiro. O ator/narrador escolhido, Collins Otieno, era o único que fez teste a não ser órfão na vida real. Mas a química com a câmera, comenta Diego, foi única. E foi completamente espontâneo o “obrigado” que Collins gravou ao final do roteiro. O jovem diretor relembra o espanto que sentiu, partilhado por muitos espectadores: Collins, ou o protagonista que interpreta, Omondi, ou qualquer criança em situação semelhante, agradece... ao apenas serem ouvidos.
Para Diego, é uma experiência nova e enriquecedora acompanhar seu filme pelos festivais internacionais em que é exibido, inclusive, por exemplo, o de Cinema Infantil de Chicago. Do Heartland Film Festival, onde receberá o Crystal Heart Award, ele retorna à Mostra. Na quarta-feira, dia 01º de novembro, ele participará, no Clube da Mostra, da mesa A Urgência do Cinema Social. Ele demonstra satisfação ao partilhar sua experiência na busca por justiça social.
Escrito por Mostra às 15h46
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 Anita do Nascimento Pereira, Serginho Groisman, Renata de Almeida e Leon Cakoff
Muitos amigos de Leon Cakoff e Renata de Almeida marcaram presença na cerimônia que abriu a edição da Mostra que comemora três décadas de cinema sem fim
A 30ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo abriu oficialmente na noite desta quinta-feira, dia 19, em evento para convidados no Auditório Ibirapuera, no tradicional parque paulistano de mesmo nome. Entre os presentes, cineastas consagrados como Hector Babenco, Walter Salles, Bruno Barreto, Daniela Thomas e Arnaldo Jabor.
Os diretores da Mostra, Leon Cakoff e Renata de Almeida, e o apresentador Serginho Groisman comandaram a abertura apresentando os patrocinadores e autoridades presentes. "É maravilhoso ver o resultado deste evento e ver que o brasileiro é receptivo a outras culturas. Cheguei aqui numa situação de flagelo com a minha família e fui muito bem recebido. Estou falando de improviso e realmente estou muito emocionado", disse Cakoff.
O secretário de Estado da Cultura de São Paulo, João Batista de Andrade, representou o governador Cláudio Lembo na cerimônia. "Essa mostra é muito importante para a cultura cinematográfica brasileira. Ela é importante como formadora de público", afirmou ele. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, também esteve presente.
A 30ª Mostra homenageou também seu público na figura da cinéfila Anita do Nascimento Pereira. A jovem foi convidada a subir no palco e ler a mensagem de incentivo que deixara no dia anterior no blog da Mostra. Ao final do apaixonado texto, ela conclui: “O cinema é alimento para a vida e não precisa ser consumido na sua totalidade, de uma única vez, para se desfrutar de seus efeitos benéficos”.
Após os discursos, os convidados assistiram ao curta Eu Quero Ser Piloto, do espanhol Diego Quemada-Diez (operador de câmera em O Jardineiro Fiel), e ao longa Os Estados Unidos Contra John Lennon, que fechou a noite. Nada mais adequado: a produção traça um paralelo do cenário mundial à época do músico com o atual.
Após o evento, os convidados seguiram para uma festa realizada na boate The Week, na zona Oeste de São Paulo, onde dançaram ao som predominantemente brasileiro do DJ Zé Pedro. Em clima de feliz comunhão, as vários tribos celebraram mais uma Mostra que se iniciou.
Escrito por Mostra às 12h20
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“Feios, Sujos e Malvados”, de Ettore Scola
O CINEMA POLÍTICO ITALIANO É TEMA DE RETROSPECTIVA, DEBATE E LIVRO INÉDITO
Este importante período do cinema italiano moderno é resgatado pela 30ª Mostra numa iniciativa sem precedentes no circuito internacional de festivais. O cinema político italiano está presente na 30ª Mostra não só em uma retrospectiva, que exibirá 26 longas-metragens, muito deles jamais vistos no Brasil, mas também por outros dois eventos. O primeiro deles, um debate sobre o tema, com a presença do mestre do cinema italiano Vittorio De Seta (Banditi a Orgosolo; Cartas do Saara), se realizará no sábado, dia 28, às 19h, no Clube da Mostra. A mesa contará ainda com as presenças das pesquisadoras Angela Prudenzi e Elisa Resegotti, do jornalista Álvaro Machado e da atriz e cineasta Florinda Bolkan, integrante do júri da 30ª Mostra.
O outro evento é o lançamento do livro Cinema Político Italiano – Anos 60 e 70, que se realizará às 20h do mesmo sábado, também no lounge. Publicação da Cosac & Naify em parceria editorial com a Mostra, o livro, que foi organizado pelo diretor da Mostra, Leon Cakoff, e pelo jornalista Álvaro Machado, é um título inédito no mundo. Cakoff diz que o interesse surgiu pelo fato de o cinema político ser um filão muito importante para o Brasil, pois, na época, o país estava no período da ditadura e vivia sob o regime da censura. Havia o temor de que os filmes não chegassem por aqui ou que fossem mutilados. Cakoff destaca ainda que as entrevistas com os diretores foram realizadas ao longo de um ano. A edição é importante ainda pelo paralelo que faz com a atualidade, novo momento de ebulição política. É possível que, depois do lançamento no Brasil, o livro também chegue ao mercado editorial italiano. O diretor da Mostra destaca que a realização do trabalho só foi possível graças à parceria com a Cosac & Naify, que ele considera “uma benção”, por esta ser uma das poucas editoras interessadas em cinema, segmento carente no mercado brasileiro.
Cinema Político Italiano – Anos 60 e 70 oferece entrevistas inéditas com importantes nomes desse recorte cinematográfico. As pesquisadoras Prudenzi e Resegotti conseguiram depoimentos surpreendentes dos realizadores que, com empenho social e político, denunciaram as mazelas da sociedade de seu país. Entre os entrevistados, estão o próprio De Seta, Marco Bellocchio, Vittorio Taviani, Bernardo Bertolucci, Damiano Damiani, Ettore Scola, Mario Monicelli, Dino Risi, Giuliano Montaldo e Francesco Rosi. Foi também entrevistada a brasileira Florinda Bolkan, protagonista do principal filme do gênero – Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita –, de 1969, dirigido por Elio Petri. A publicação traz fotogramas de mais de cinqüenta filmes e fotos históricas produzidas pelos jornais italianos da época, apresentados em projeto gráfico de Flavia Castanheira.
Escrito por Mostra às 14h00
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PETROBRÁS DÁ PRÊMIO RECORDE PARA O CINEMA BRASILEIRO NA 30ª MOSTRA
Em mais um passo na forte campanha de apoio à produção audiovisual brasileira, Petrobras ajuda no lançamento dos dois filmes vencedores A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo celebra sua 30ª edição com um grande prêmio para o cinema brasileiro. É o Prêmio Petrobras Cultural de Difusão, num valor total de R$ 600 mil. Serão entregues um prêmio no valor de R$ 400 mil para um longa-metragem de ficção, e outro no valor de R$ 200 mil para um longa documentário. Os valores devem ser investidos na campanha de distribuição e lançamento dos mesmos. O prêmio, o maior já concedido em um festival de cinema no país, foi criado pela Petrobras para comemorar os trinta anos da Mostra, numa iniciativa do Programa Petrobras Cultural, que, desde 2003, conduz a política de patrocínio cultural da companhia.
Concorrem a ele todos os longas brasileiros a serem exibidos na 30ª Mostra, desde que inéditos no circuito comercial. Os vencedores serão eleitos por votação popular. As cédulas de votação serão numeradas e cada espectador terá direito a votar uma única vez. Ficam de fora da votação os convidados em cada sessão. Serão contabilizados os votos dados pelo público em quatro sessões de cada filme. A definição dos dias e horários “em competição” foi feita por sorteio.
Longas de ficção em competição
1972, José Emílio Rondeau
Antonia, Tata Amaral
As Tentações do Irmão Sebastião, José Araújo
Corações Desertos, Cristiano Burlan
Incuráveis, Gustavo Acioli
Noel – Poeta da Vila, Ricardo van Steen
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, Cao Hamburger
O Cheiro do Ralo, Heitor Dhalia
O Céu de Suely, Karim Aïnouz
O Dono do Mar, Odorico Mendes
O Passageiro – Segredos de Adulto, Flávio Tambellini
Os 12 Trabalhos, Ricardo Elias
Proibido Proibir, Jorge Durán
Remissão, Silvio Coutinho
Serras da Desordem, Andrea Tonacci
Só Deus Sabe, Carlos Bolado
Documentários em competição
3 Irmãos de Sangue, Ângela Patrícia Reiniger
Acidente, Cao Guimarães, Pablo Lobato
Antes, Um Dia e Depois, Caio Cavechini
Atos dos Homens, Kiko Goifman
À Margem do Concreto, Evaldo Mocarzel
Brilhante, Conceição Senna
Carlos Oswald – O Poeta da Luz, Regis Faria
Cartola, Lírio Ferreira, Hilton Lacerda
Expedito – Em Busca de Outros Nortes, Aida Marques, Beto Novaes
Fabricando Tom Zé, Decio Matos Jr.
Nzinga, Octávio Bezerra
O Livro Multicolorido de Karnak, Marcel Izidoro
Oscar Niemeyer - A Vida É um Sopro, Fabiano Maciel
Pixote in Memoriam, Felipe Briso, Gilberto Topczewski, Edu Abad
Pretérito Perfeito, Gustavo Pizzi
Escrito por Mostra às 13h55
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CINEMA MUDO NA TELA, MÚSICA AO VIVO NO CINESESC
Este ano será exibido Cabiria, de Giovanni Pastrone, filme de 1914 e um dos grandes clássicos do cinema mudo italiano. A produção, considerada por Federico Fellini uma das grandes inspirações de sua obra, teve cópia restaurada e se passa durante as Guerras Púnicas em Cartagena (300 a.C.). A personagem central, que dá nome ao filme, está prestes a ser sacrificada ao deus Moloch, mas é salva por um soldado romano e seu servo. O filme foi recuperado pelo Museo Nazionale del Cinema, de Turim, em associação com a PresTech Film Laboratories Ltd., empresa do brasileiro João Sócrates, radicado em Londres. O acompanhamento musical será feito pelo pianista italiano Stefano Maccagno.
Para os fãs de William Shakespeare, a pedida é conferir Shakespeare Mudo, programa com sete curtas-metragens inspirados na obra do dramaturgo inglês e produzidos por pioneiros do cinema entre 1899 e 1911, nos EUA, Itália e Inglaterra. O acompanhamento musical será feito pela pianista britânica Laura Rossi, o violonista britânico Mike Outram e pelo Quarteto Portinari, integrante da OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). O quarteto é formado por Matthew Thorpe e Simona Cavuoto, violinos; Peter Pas, viola; e Marialbi Trisolio, violoncelo.
Os aficionados também do gênero terror terão a oportunidade de assistir a Histórias Tenebrosas, de Richard Oswald. Lançado na Alemanha em 1919, foi o primeiro filme de terror do nascente cinema alemão. Restaurado recentemente pelo Instituto Goethe, a produção, considerada pioneira, reúne cinco episódios baseados, entre outros, em contos de Edgar Allan Poe e Robert Louis Stevenson. O acompanhamento musical será feito pelo pianista Paulo Braga, professor no Departamento de Música Popular do Centro de Estudos Musicais Tom Jobim.
Serviço: 30ª Mostra – Apresentações Especiais com Música ao Vivo
Cabiria Quando: dias 26 (18h10) e 28 (17h40).
Shakespeare Mudo Quando: dias 27 (17h20) e 28 (21h20) de outubro.
Histórias Tenebrosas Quando: dias 29 de outubro, às 17h40, e 02 de novembro, às 15h50.
Onde: CineSesc
Escrito por Mostra às 16h49
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ACOMPANHE A PROGRAMAÇÃO DO CLUBE DA MOSTRA
O lounge da Mostra, em novo endereço, preparou uma programação intensa para complementar a exibição dos filmes
O Clube da Mostra, que neste ano se realiza no sexto andar do Shopping Frei Caneca, traz importantes nomes do cinema, da música e da literatura para debater temas enfocados nas produções selecionadas para a 30ª Mostra. Confira a programação e agende os eventos de seu interesse:
Sábado, dia 21: 16h – A Música Vista pelo Cinema: como debatedores, os diretores Douglas Crawford, de Punks São Legais; Eric Tretbar, de The Horrible Flowers; e Rose La Creta, de Nzinga; e o crítico de cinema Christian Petermann. 19h – Encontro com o Cinema Brasileiro/Documentários.
Domingo, dia 22: 16h – Encontro com o Cinema Brasileiro/Ficção. 18h – Resgate do Mito Hedy Lamarr – Cinema de Pesquisa: os irmãos Fosco e Donatello Dubini, que participam da 30ª Mostra com o filme Hedy Lamarr – Segredos de uma Estrela de Hollywood, contam a história da atriz, a primeira a protagonizar uma cena de nudez no cinema e também uma das primeiras a personificar a autêntica estrela hollywoodiana.
Segunda-feira, dia 23: 20h – David Perlov – O Cinema como Parceiro da História: com a participação de Mira Perlov, viúva do cineasta e produtora de seus filmes; do diretor da Mostra, Leon Cakoff; e do jornalista, amigo e admirador do cineasta, Alberto Dines. O Diário de Perlov participa da 30ª Mostra e, dividido em seis partes, recompõe sem pressa a vida que passa e sugere um exercício para decifrar o melhor da humanidade.
Terça-feira, dia 24: 16h – Por que Fazer Curtas Hoje?: com os diretores Stephen Keep Mills (Um Charuto na Praia) e Guillaume Martinez (Palavras Riscadas). 18h – Que é Ser Independente no Cinema Americano?: com a participação de Charles Libin (American Combatant), Matt Ruskin (O Projeto Hip Hop), Ian Somerhalder e Aaron J. Wiederspahn (ator e diretor de A Sensação de Ver).
Quarta-feira, dia 25: A Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial, toma conta do lounge. 16h – Encontro com Atores Homenageados: com a participação de Betty Faria, Ary Fontoura, Emiliano Queiroz, Vera Holtz e Pedro Paulo Rangel. 18h – Encontro com Diretores Homenageados: entre eles, Maurice Capovilla e Alfredo Sternheim. 19h – Lançamento dos novos títulos da Coleção Aplauso.
Quinta-feira, dia 26: 15h – Programa de Apoio à Cadeia Produtiva do Audiovisual / BNDES: apresentação da nova política de fomento do BNDES ao setor do audiovisual, com Luciane Gorgulho (Chefe do Departamento de Economia da Cultura do BNDES) e Sérgio Sá Leitão (Assessor da Presidência do BNDES). 18h – América Latina – Política e Cinema: tema para debate entre Tania Hermida (diretora de Qué Tan Lejos), Glenn Gebhard e Mladen Milisovic (diretor e compositor de Cuba: Uma Vida de Paixão) e José Glusman (diretor de Solos). 21h30 – Performance do músico André Abujamra.
Sexta-feira, dia 27: 17h – Olhar Estrangeiro sobre o Brasil: com Kirill Mikhanovsky e José Maria Alves (diretor e ator de Sonhos de Peixe) e Carlos Bolado (diretor de Só Deus Sabe). 19h – Rupturas em Análise: os debatedores serão Sean Garrity (diretor de Lúcido) e Roman Borisevich (produtor de Flutuando).
Sábado, dia 28: 19h – Cinema Político Italiano: a mesa contará com o mestre Vittorio De Seta (Banditi a Orgosolo; Cartas do Saara), as pesquisadoras Angela Prudenzi e Elisa Resegotti, o jornalista Álvaro Machado e a atriz e cineasta Florinda Bolkan, integrante do júri. 20h – Lançamento do livro Cinema Político Italiano – Anos 60 e 70, com entrevistas de Angela Prudenzi e Elisa Resegotti e organização de Álvaro Machado e Leon Cakoff, publicação da Cosac & Naify.em parceria editorial com a Mostra.
Domingo, dia 29: 16h – O Cinema Brasileiro no Exterior – Encontro com Vendedores e Produtores 19h – Coexistência Cultural: com a participação de Julia Bacha (co-diretora e roteirista de Zona de Conflito) e Jay Jonroy (diretor e roteirista de David & Layla).
Segunda-feira, dia 30: 19 h – Lançamento do livro Um Filme É para Sempre, de Ruy Castro, publicação da Companhia das Letras.
Terça-feira, dia 31: 17h30 – A Exposição da Violência no Cinema: com os diretores e roteiristas Julia Loktev (Day Night, Day Night) e Laurence Lamers (Paid). 20h – A Arte do Restauro e a Memória do Cinema: presenças de João Sócrates (restauração de Cabiria), Maria de Andrade (A Restauração Digital de Macunaíma) e José Maria Prado (Festival Internacional de San Sebastián e Biblioteca de Cinema da Espanha).
Quarta-feira, dia 01º: 16h – A Urgência do Cinema Social: com os diretores Diego Quemada-Diez (Eu Quero Ser Piloto), Jeremy Hamers (A Verdade do Gato), Kiko Goifman (Atos dos Homens) e Fernando Meirelles. 19h – Cinema Sem Fim: o lounge recebe o diretor da Mostra, Leon Cakoff, a produtora e diretora de programação da Mostra, Renata Almeida, e Hubert Alquéres, da Imprensa Oficial. 20h – Lançamento do livro Cinema Sem Fim – A História da Mostra 30 Anos, escrito por Leon Cakoff e editado pela Imprensa Oficial.
Escrito por Mostra às 16h48
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A 30ª MOSTRA COMEÇA SUA JORNADA DANDO VOZ A DOIS GRANDES SONHADORES
O curta-metragem selecionado para a abertura dessa edição, Eu Quero Ser Piloto, mostra um pré-adolescente, Omondi, que sonha em se tornar aviador para fugir de sua realidade. Já o longa Os Estados Unidos Contra John Lennon revela novos aspectos do ex-Beatle que apenas sonhava em “Give Peace a Chance”.
O segundo curta dirigido pelo espanhol Diego Quemada-Diez, Eu Quero Ser Piloto, pós-A Table Is a Table (2001), é fruto de sua experiência como operador de câmera de Fernando Meirelles em O Jardineiro Fiel. Este filme teve locações em Kibera, a maior favela do Leste da África, em Nairóbi (Quênia). Foi lá que Quemada-Diez colheu cinqüenta depoimentos de crianças carentes e conheceu o protagonista de seu curta, Collins Otieno, que interpreta Omondi. O melhor que este órfão pode, em sua vida privada de tudo e de todos, é sonhar com a única chance que tem de se arrancar daquele mundo em decomposição: voando muito alto e para muito longe. Difícil ficar indiferente à conclusão de seu pedido, narrado em off.
Quando o longa começar, muda o sonhador e seu poder de influência neste mesmo mundo. O documentário Os Estados Unidos Contra John Lennon, de David Leaf e John Scheinfeld, apresenta detalhes inéditos do momento histórico em que o cantor e compositor John Lennon passou a usar suas canções em prol do humanista que se manifestou com toda força depois da entrada de Yoko Ono em sua vida. Ele se transformou em persona non grata para o governo americano. Como o escritor Gore Vidal bem resumiu, Lennon, no início dos anos 1970, representava a vida, enquanto que Richard Nixon e George Bush pai eram a morte. Disse então Lennon: “O tempo fere todas as curas.” Infelizmente, seu sonho, que foi calado ao som de tiros, é até hoje a prova cabal da lucidez dessa afirmação. Até quando o tempo continuará indiferente aos sonhadores?
Escrito por Mostra às 16h37
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David Perlov
MIRA PERLOV, ISMAIL XAVIER E ALBERTO DINES DEBATEM “DIÁRIO”, O ÉPICO SOBRE O COTIDIANO FILMADO EM DEZ ANOS POR DAVID PERLOV
O “Diário” de David Perlov, um épico rodado em dez anos sobre o cotidiano das pessoas, dividido em seis partes de uma hora cada, faz parte da programação da 30ª Mostra Internacional de Cinema, seguido de debate no dia 23, às 20 horas, no lounge da Mostra (Shopping Frei Caneca, 6º andar). Participam do debate a produtora de seus filmes Mira Perlov, o professor de cinema Ismail Xavier e o jornalista, amigo e admirador da obra do cineasta Alberto Dines.
David Perlov nasceu no Rio de Janeiro em 1930, foi paulistano de formação e morreu em Tel Aviv em 2003. Graças ao trabalho de preservação e restauro de sua mulher e produtora Mira Perlov e de sua filha e montadora Yael Perlov, estes filmes maravilhosos e de profundo humanismo podem circular agora pelo mundo.
LIÇÕES DE HUMANIDADE
Há lições fundamentais no cinema de David Perlov. O seu Diário, rodado informalmente ao longo de dez anos, recompõe sem pressa a vida que passa e nos sugere um singelo exercício de paciência para decifrar o melhor de nossa humanidade. Ao observarmos com ele ou através de suas lentes os movimentos cotidianos, de vidas privadas, a sua própria existência e o entorno de sua família, vamos perceber a importância de pequenos atos e gestos que formam vagarosamente o admirável mosaico da grandeza humana.
Seguirmos com ele a passagem do tempo e as ondas políticas que nos contagiam. Partícipes de inquietudes, equívocos, erros e euforias, a história que se reconstrói tem os toques de um mestre benevolente. Ele nos revela logo no começo de seus diários ter se cansado um dia do cinema convencional para se interessar por isso que ele nos deixou como legado: um arquivo precioso de imagens que equivale ao resgate de uma grande memória, repleto de flagrantes do inconsciente coletivo.
O Diário de David Perlov começa com sua doce retórica: "Maio, 1973, eu compro uma câmera. Eu começo a filmar eu mesmo e para mim mesmo. O cinema profissional não me interessa mais.
Eu filmo dia após dia à procura de outra coisa. Eu procuro antes de tudo o anonimato. Eu preciso de tempo para aprender a fazer isso."E essa emocionante oratória vai terminar em 1983, com premonitórias passagens pela cidade em que nasceu (Rio de Janeiro) e a cidade onde cresceu (São Paulo).
David Perlov escreveu um grande livro ao longo de dez anos. Um livro que seria incompleto sem as imagens de seu magnífico Diário. Seus filmes em forma de diário também seriam incompletos sem os seus textos de profunda humanidade e suas questões sobre a nossa temporalidade. As imagens e os comentários de David Perlov são pretextos para uma causa bem maior que poucas vezes o cinema atingiu ao longo de sua história de tantas emoções: os textos, os pensamentos de Perlov, formam uma obra literária que não cabe em si de tão intensa e sincera, que se completa com as imagens despretensiosas desta que é a maior aventura humana: o espanto diante da própria vida, da vida real.
Ao voltar a São Paulo, passando pela Estação da Luz, David Perlov pergunta ao seu paciente espectador, quase ao final da sexta e última parte do Diário: "Não terá sido aqui, vendo estas imagens (do enquadramento de uma janela de trem), que o meu amor ao cinema nasceu?" E talvez sim, talvez não, inspirado nos pensamentos de Glauber Rocha, Perlov sentencia: "Esta câmera na cabeça é uma máscara!". Ao final desta extraordinária leitura cinematográfica, fechamos o filme com um grande ensinamento do mestre David Perlov. Ele acaba de nos fazer ver que nada do que vivemos é em vão.
Escrito por Mostra às 15h53
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