IRAQUE E PALESTINA SOB OCUPAÇÃO RESULTAM EM TRÊS BONS FILMES AMERICANOS
In the Valley of Elah’, de Paul Haggis

IRAQUE E PALESTINA SOB OCUPAÇÃO RESULTAM EM TRÊS BONS FILMES AMERICANOS

O Iraque invadido e em guerra foram o tema de dois ótimos filmes americanos com a assinatura de prestigiados diretores consagrados em Hollywood. E a Palestina ocupada também foi vista no 64º Festival de Veneza em documentário que segue a pregação do ex-presidente Jimmy Carter. Os três tratam objetivamente dos desastres da política externa norte-americana no Oriente Médio. E de suas terríveis conseqüências que a todos afetam. Finalmente dois filmes claramente contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

Brian de Palma, com REDECTED, e Paul Haggis (de CRASH), com IN THE VALLEY OF ELAH, aproximam seus filmes ficcionais da terrível realidade da guerra do Iraque. E da desastrosa presença das tropas americanas. REDECTED e IN THE VALLEY OF ELAH vão às últimas conseqüências do uso da tecnologia do digital.

Brian de Palma reconstitui o terror de um grupo de soldados americanos que massacre uma família iraquiana ao termino do estupro de uma menina de 14 anos. O diretor absurdamente conseguiu base para toda a sua pesquisa em páginas na internet, com muitos diários com imagens no Youtube. Ele espera que o seu filme e suas terríveis imagens, como um manifesto, sirva para aumentar a consciência pelo fim da guerra no Iraque. E cita a força das imagens que ajudaram a acabar com a guerra do Vietnã. Só que as imagens do Vietnã, por serem mais raras, pareciam causar um impacto maior nas nossas mentes. Como o próprio De Palma aponta, há agora uma profusão de imagens e relatos que parecem banalizar a informação e as notícias como a deste massacre.

IN THE VALLEY OF ELAH vai nesta mesma linha e causa mais espanto. Paul Haggis radicaliza o uso do digital, mas do ponto de vista dos próprios soldados que não se preocupam com as conseqüências de seus atos bárbaros, em mais episódios de massacres de inocentes, e registram tudo com os recursos de filmadora de seus telefones celulares. Temos aqui um pai (com mais uma interpretação ótima de Tommy Lee Jones) procurando pelo filho desaparecido. O enigma vai se esclarecendo à medida que as imagens corrompidas do celular do filho vão sendo recuperadas e enviadas por e-mail por um técnico. Novas mídias, novas linguagens, mundos virtuais, progressos tecnológicos, mas a desumanidade segue avançando.

Paul Haggis e Brian de Palma emprestam seus nomes a esta boa causa antibélica. E prestam seus bons serviços com coragem rara. Pois este é cenário desolador, com uma mídia mentirosa e acovardada que deixa saudades do tempo em que mais consciências se rebelavam contra os massacres do intervencionismo americano no Vietnã. REDECTED e IN THE VALLEY OF ELAH são as provas de que há resistência. E muito coragem para afrontar a patriotada fascista-nacionalista que assolou os EUA depois dos atentados de 11 de Setembro. Paul Haggis termina o seu filme hasteando a bandeira americana de cabeça para baixo, como símbolo de vergonha nacional.

E como documentário, Veneza mostrou também um filme dirigido por Jonathan Demme – MAN FROM PLAINS, que segue o ex-presidente americano Jimmy Carter, pregando sua fé cristã, dando palestras para estimular a boa juventude e, muito chocante, dando entrevistas para jornalistas na maioria reacionários, na campanha de lançamento de seu novo livro com o sugestivo título “Palestine: Peace Not Apartheid”. Jonathan Demme nos leva a esta América real, com um modelo de jornalismo servil aos interesses do governo que mais que tudo parece trabalhar pelos interesses da indústria das armas e da guerra permanente.

 


‘In the Valley of Elah’, de Paul Haggis


‘Man from Plains’, de Jonathan Demme



Escrito por Mostra às 17h41
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MANOEL DE OLIVEIRA COMOVE VIAJANDO AO PASSADO DOS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES
Manoel de Oliveira em
“Cristovão Colombo – O Enigma”

MANOEL DE OLIVEIRA COMOVE VIAJANDO AO PASSADO DOS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES

O título do novo filme do quase centenário Manoel de Oliveira (CRISTÓVÃO COLOMBO – O ENIGMA) sugere uma investigação sobre a real identidade do navegante Cristóvão Colombo, que teria sido português, nascido em Cuba, no Alentejo, e assim batizado a ilha do Caribe no caminho de descobrir a América do Norte. Manoel de Oliveira faz 100 anos em 2008 e tem em mente ao menos mais três projetos de longas-metragens, que foi revelando na sua meteórica passagem pelo 64º Festival de Veneza onde o novo filme foi exibido na seleção dos Mestres do Cinema.

Manoel de Oliveira faz ao menos um filme por ano desde 1990, quando nos brindou com NON, OU A VÃ GLÓRIA DE MANDAR e muitos outros filmes grandiosos sobre a inquietude e a força do pensar. Mas CRISTÓVÃO COLOMBO – O ENIGMA não é bem um filme sobre Colombo. É sim sobre passado, mas do próprio Manoel de Oliveira, de suas próprias inquietudes diante da vida e da morte, e uma prova de amor à sua própria mulher Maria Isabel, com quem está casado desde 1940... Ambos atuam no novo filme, viajando por Portugal, Estados Unidos e Açores para resgatar memórias e falar dos grandes feitos da navegação portuguesa desde o século 16. Falam também de anjos da guarda e do vento, o espírito que tudo move, e que deu impulso às caravelas que descobriram o mundo todo desde o porto de Sagres, em Portugal.

O filme de Oliveira é muito comovente, embora não seja o primeiro dele que se parece com uma despedida. A memória que nos guia é mesmo a de um grande pensador que atravessou o século 20 e segue firme no 21 aplicando ao cinema, a cada filme, uma surpreendente vitalidade, audácia e modernidade. Mais ainda, com um humor mordaz que é único, que sequer fez seguidores, nem mesmo em Portugal. Manoel de Oliveira tem uma assinatura no cinema inconfundível como se quer dos grandes mestres. A sua ironia se confunde com as ironias do destino que lhe permitem o privilégio de seguir filmando e ter orgulho em dizer que é o único cineasta do mundo vivo que iniciou a carreira no tempo do cinema mudo.

Oliveira, entre filmes, ainda tem energia para várias batalhas judiciais pelos direitos dos filmes que faz desde 1931 (DOURO, FAINA FLUVIAL). “Não gostam dos meus filmes, não os vêem, mas não os querem largar”, desabafou ao caminharmos juntos depois de um filme que fomos ver juntos em Veneza (UM BAISER, S’IL TE PLAIT!, de Emmanuel Mouret). Invejável energia. E que vitalidade intelectual. Cineasta bom, também aprendi ao longo da vida de festivais, é aquele que nunca perde uma oportunidade de ver filmes de outros diretores. São estes que mais fazem progressos e mais tem coisas interessantes a dizer. Manoel de Oliveira novamente com a palavra.


Escrito por Mostra às 17h38
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“LUST, CAUTION”, DE ANG LEE, FAZ AS PAZES COM PÚBLICO HETEROSSEXUAL
‘Lust, Caution’, de Ang Lee

“LUST, CAUTION”, DE ANG LEE, FAZ AS PAZES COM PÚBLICO HETEROSSEXUAL

O cineasta taiwanês Ang Lee, americano desde 1978, ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2004 com BROCKEBACK MOUNTAIN, filme sobre uma América profunda que ficou injustamente conhecido como um western gay. O novo filme de Ang Lee LUST, CAUTION, agora é incorretamente anunciado como um filme erótico. Mais que esse clichê superficial, ele é um raríssimo documento sobre a resistência de uma inocente juventude chinesa à sangrenta ocupação japonesa na Shangai dos anos 40.

É verdade que LUST, CAUTION tem cenas de sexo no limite extremo da pornografia e o ator fetiche de Wong Kar Wai, Tony Leung, no papel de amante insaciável (na cama com a bela Wang Hui Ling) e verdugo da repressão japonesa ao mesmo tempo. O projeto é suficientemente ambicioso, tem atrevimentos de superprodução que a nenhum outro cineasta asiático tinha tido no sistema de Hollywood, e parece querer ser um filme definitivo sobre o tema da ‘Mata Hari’ chinesa. Só que, mais do que o desejo de realizar um luxuoso filme sobre a China embrionária do maoísmo, Ang Lee parece preocupado em fazer as pazes com as platéias heterossexuais, entre as quais até se criou movimentos na internet de boicote ao seu anterior BROKEBACK MOUNTAIN.

Há outra mensagem subliminar em LUST, CAUTION. A resistência toda que se segue nos movimentos de uma romântica juventude chinesa pouco faz além de oferecer uma de suas jovens como isca do agente repressor. Mesmo ela, de tanto visitar a cama e a mesa do monstro, acaba vacilando em todas as oportunidades que aparecem para acabar com ele. O que tem resultado nesta triste história é a passagem da violência. E o que ficou da história real de passagem da invasão japonesa na China para a resistência e a tomada de poder de Mao Tsetung e suas tropas de seguidores fanáticos é de novo e apenas a força da violência.


Escrito por Mostra às 14h38
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ATO DE MACARTHISMO CONTRA AMOS GITAI EM ISRAEL
‘Disengagement’, de Amos Gitai

ATO DE MACARTHISMO CONTRA AMOS GITAI EM ISRAEL

A Autoridade de Radiodifusão de Israel decidiu contra o apoio financeiro para ‘DISENGAGEMENT,’ o novo longa-metragem de Amos Gitai, sob o pretexto de que ‘ele não é um diretor israelense.’ Em resposta, Gitai pediu aos membros do comitê que perguntassem aos sírios, que atiraram nele na Guerra do Yom Kippur War, quanto à sua nacionalidade. Estrelando Juliette Binoche, o filme vai abrir o Festival de Cinema de Haifa.

Este artigo foi publicado originalmente por Merav Yudilovitch em ‘Israel Culture’ (29.08. 07).

Amos Gitai é, sem dúvida, a pessoa que abriu as portas para Israel de locais respeitáveis como os prestigiados festivais de cinema de Cannes, Berlim, e Veneza. Embora seja aclamado internacionalmente, o trabalho de Gitai cria antagonismos em Israel, mas até hoje não se havia duvidado de sua identidade israelense. Essa situação mudou semana passada quando o comitê de TV da Autoridade de Radiodifusão de Israel rejeitou por unanimidade um pedido de apoio financeiro para “DISENGAGEMENT”, retrocedendo em relação a um acordo anterior.

Alguns meses atrás, o diretor geral da ARI, Moti Shklar fez uma oferta por escrito ao chefe da United Studios, Moshe Edri, na qual ele afirmava: “Eu pretendo apoiar a indústria cinematográfica israelense e apresentar às instituições da ARI com seu pedido de apoio a “DISENGAGEMENT” com até 0,000. De acordo com nosso acordo anterior, em troca desse apoio, o filme será veiculado no Canal 1 e, ao mesmo tempo, a ARI receberá os direitos de exibição de todos os filmes que o diretor Amos Gitai já produziu.”

Em sua carta, Shklar esclareceu que, de acordo com o procedimento, o acordo acima requer a aprovação das instituições ARI, e que apenas depois que for aprovado, poderá ir oficialmente adiante. Na última quinta feira, o caso foi apresentado para o comitê de TV ARI, que rejeitou por unanimidade o acordo inteiro.

Falando com Ynet, a membro do comitê Dorit Inbar disse que, entre outras razões Gitai foi recusado porque “ele não é um artista israelense, ou seja, segundo informações que temos, ele não vive aqui.”

Sabendo da notícia, Gitai – que passa seu tempo entre Tel Aviv, Haifa,e Paris – ficou mudo por um tempo. “Esse é um simples ato de Macartismo,” ele disse. “Eu moro em Israel, eu servi o exército, e os meus filhos também, e agora eu tenho que conseguir um carimbo kosher deles? Eu me encontro no mesmo banco que Eyal Sivan , e, embora eu não me identifique com ele, parece que eles estão marcando cada vez mais pessoas assim. Até onde isso vai?”

Quando perguntado sobre o fato de que Gitai mora e trabalha em Israel, Inbar sublinhou: “O comitê aceitou completamente a alegação de que ele não mora ou cria em Israel. Há muitos cineastas israelenses que precisam muito de nosso apoio. O ARI é uma autoridade israelense e deveria assistir uma grande variedade de artistas israelenses ao invés de ajudar uma só pessoa que não trabalha em Israel, o que é de conhecimento geral. Que filme ele fez em Israel?”

Israelense só no estrangeiro

Gitai, que foi muitas vezes atacado e atingido pela mídia, críticos e fundos de cinema israelenses, ficou furioso mas ainda mais ferido. Falando com Ynet, ele ressaltou que os filmes que foram oferecidos como um pacote para o ARI foram filmados e editados em Israel.
“Eu sei por certo que ele produz a maior parte de seus filmes fora de Israel,” Inbar insistiu. “Tenho certeza de que ele filma em Israel também, mas o grosso de seu trabalho não é feito em estúdios ou ilhas de edição israelenses, nem se apóia na indústria local. Os membros do comitê compartilham dessa visão.”

Os filmes que foram oferecidos para o ARI como parte do pacote do acordo com Gitai incluíam “Kippur,” filmado inteiramente nas Colinas do Golan ; “Yom Yom,” que foi filmado em Haifa; “Kadosh,” que foi filmado em Tel Aviv e Jerusalém; “Alila,” filmado em Tel Aviv; e “Kedma” que foi filmado em locação perto de Bet Govrin. “DISENGAGEMENT” também foi parcialmente filmado em Israel, com elenco e produção locais.

Segundo Gitai, uma breve mirada sobre seus filmes seria suficiente para certificar sua identidade nacional, e todos eles foram montados em Israel, ele diz.

“Tenho nojo de todo esse negócio de israelense-não-israelense. É nojento,” ele disse, listando os prêmios que já recebeu da indústria cinematográfica israelense.

“Com toda modéstia, eu acredito que fiz uma grande contribuição para o status da indústria cinematográfica israelense no mundo todo. No mundo lá for a, eu sempre fui apresentado como israelense, mas Rommema (escritórios do ARI) ainda não ficou sabendo,” ele disse, acrescentando sombriamente: “Eu sinto que houve uma rápida deterioração nas normas razoáveis com que filmes e trabalhos artísticos são discutidos em Israel. A maneira com que a cultura é tratada como um todo sofreu uma grande queda.”

Parece que você não apenas não é apreciado aqui, mas também que seus críticos estão negando que você seja daqui.

“O que eu posso dizer? Eu era israelense o suficiente para os sírios, que atiraram no jato em que eu estava na Guerra de Yom Kippur, mas parece que Dorit Inbar ainda não foi atualizado nesse sentido. Talvez ela devesse perguntar à inteligência síria quanto à minha nacionalidade.”

Não é política

Gitai está certo de que a decisão de rejeitar o acordo está associada com seus pontos de vista políticos, mas Inbar negou categoricamente. “As visões políticas de Gitai nunca foram a questão. Uma observação foi feita de que os trabalhos dele eram controvertidos, mas não no contexto político.”

Ela alegou que o que pesou na balança para o comitê foi o preço do acordo - 0,000. “É uma quantia descomunal para dar a apenas um artista. Poderia pagar por cinco filmes,” ela disse, sublinhando: “Como presidente do Conselho de Cabos e Satélite, eu forcei o ‘Hot Cables’ a investir não menos que NIS 200,000 e não mais que NIS 400,000 por filme, e eles conseguiram produzir 12 filmes por ano.”

Gitai reagiu a isso dizendo, “É interessante que Keshet destinou 0,000 para ‘Beaufort’ (apresentado no Festival de Berlim este ano) e eu acabo de ver um relatório hoje de que eles estão investindo NIS 3.5 milhões em 10 projetos de documentário, cujos orçamentos são muito menores que os de longas-metragens.”

Em outra reação, o ARI disse: “A gerência do ARI estava realmente interessada em exibir os filmes de Gitai, mas sublinhou que isso tem que ser aprovado pelas instituições ARI.

“O comitê de TV, que discutiu o assunto, decidiu por unanimidade contra o acordo, por uma série de razões, uma das quais foi sua situação financeira difícil. Os membros do comitê alegaram que, embora suas intenções sejam boas, são tempos difíceis e o ARI está à beira do colapso, e não pode sustentar outros corpos – nomeadamente, a indústria cinematográfica.

“Além disso, certos membros do comitê mantiveram que eles não deveriam selecionar só um diretor, e que se a ajuda deve ser entendida, ela deve seguir certos critérios, e outros artistas deveriam poder apresentar seus trabalhos. As posições políticas de Gitai não tiveram nada a ver com a decisão contra o acordo.”

Deve-se sublinhar que “DISENGAGEMENT” – o novo filme de Gitai, estrelando Liron Levo e Juliette Binoche – será exibido nos festivais internacionais de cinema de Veneza e Toronto sob a prestigiosa alcunha de Os Mestres, que englobará filmes de diretores de primeira linha, como Woody Allen, Manoel de Oliveira, Takeshi Kitano, Ken Loach, e Sean Penn. O filme de Gitai também sera exibido na noite de gala do Festival Internacional de Cinema de Haifa, e essa será a primeira vez que um filme israelense será exibido na noite de abertura do evento mais importante da indústria israelense.

O novo filme de Gitai conta a estória de um encontro entre um jovem israelense (Levo) e sua irmã (Binoche) que vive na França com o pai deles. Enquanto Israel está lidando com o processo de DISENGAGEMENT do Gush Katif, os dois se redescobrem. O filme também tem as participações de Jeanne Moreau, Dana Ivgi, Uri Klauzner, e Israel Katorza.


Escrito por Mostra às 14h32
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GEORGE CLOONEY, COMO UM HUMPHREY BOGART, SUSTENTA O MISTÉRIO DE “MICHAEL CLAYTON”
George Clooney em “Michael Clayton”

GEORGE CLOONEY, COMO UM HUMPHREY BOGART, SUSTENTA O MISTÉRIO DE “MICHAEL CLAYTON”

MICHAEL CLAYTON é o nome do filme do estreante Tony Gilroy. O diretor americano, de Nova York, pode não ser conhecido, apesar de ter escrito os roteiros dos três sucessos da série “Bourne”. Mas seu ator George Clooney, melhor a cada filme, todos conhecem. Coisas do star system...

Desta vez Tony Gilroy escreve e caprichou no roteiro do próprio filme que dirigiu. Americano quando quer mostrar cultura no cinema faz homenagem aos seus filmes b, às produções baratas dos anos 40 e 50 que depois foram cultuados pelos franceses, batizados e reunidos sob a chancela de ‘film noir’. Um dos ícones dos filmes ‘noir’ era o fabuloso Humphrey Bogart, um ator que pensava em cena e fazia o espectador pensar com ele nem que fosse para resolver a charada de um crime banal. George Clooney, como um Humphrey Bogart repete o mito e sustenta o mistério de MICHAEL CLAYTON até a cena final do filme.

MICHAEL CLAYTON fala de corrupção em uma grande corporação agroquímica. Como ninguém faz corrupção sozinho, a corporação conta com uma sofisticada rede de conivências. Menos de um advogado em crise, que cruza o caminho de seus interesses milionários. O advogado é escalado para abafar o aparente acesso de loucura de um ex-dirigente da corporação, mas com ele percorremos tortuosos caminhos fragmentados por uma bela narrativa em flashbacks. O filme é bom. Principalmente porque você sai dele e a vontade que dá é continuar o prazer com um velho filme ‘noir’ original, com ou sem Bogart.


Escrito por Mostra às 14h08
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“USELESS/ INÚTIL”, DE JIA ZHANG-KE, SEGUE A MODA A TODOS OS EXTREMOS
“Useless/Inútil”, de Jia Zhang-Ke

“USELESS/ INÚTIL”, DE JIA ZHANG-KE, SEGUE A MODA A TODOS OS EXTREMOS

Em 2006, seu STILL LIFE tinha o risco de não ficar pronto a tempo. A opção do Festival de Veneza foi então anunciar o filme de Jia Zhang-Ke em competição sem anunciá-lo, como filme surpresa. Foi exibido e merecidamente levou o Leão de Ouro. Temos agora do mais festejado cineasta asiático o novo filme USELESS/ INÚTIL.

Jia Zhang-Ke é o cineasta chinês dos temas urgentes. Seus trabalhos registram com desconfiança os signos do progresso econômico voraz do modelo chinês de capitalismo de estado, insensível com as suas conseqüências sobre as populações e as culturas milenares da imensa China. O pior é que o modelo chinês de capitalismo voraz faz vítimas também fora da China ao vender seus produtos baratos e sem concorrência a todo o mundo.

E em 2007, a 64ª edição do Festival de Veneza, conforme nos confidenciou Jia Zhang-Ke, por pouco não tem a cópia de USELESS/ INÚTIL (WUYONG), cujas imagens de sua terceira e última parte estavam sendo ainda filmadas na segunda semana de agosto em Fenyang, na China.

USELESS/ INÚTIL dirige o olhar a três aspectos distintos da moda e confecções. Sobre quem as faz e quem as veste. A primeira parte do filme se concentra numa fábrica em Cantão, de roupas produzidas em grande escala. O calor úmido é combatido com inúmeros ventiladores. Os empregados seguem um ritual mecânico, mesmo nas refeições e nos plantões médicos. São apáticos como na relação com as roupas que costuram e que logo serão despachadas pelo mundo a clientes desconhecidos.

Na segunda parte do seu docudrama, Jia Zhang-Ke segue os preparativos finais da estilista Ma Ke que prepara uma impressionante instalação no Fashing Week de Paris. Ma Ke faz esculturas vivas, vestidas com roupas orgânicas, que por entre elas, ao contrário de outras apresentações de moda, é o público quem desfila. Ma Ke, aclamada como anti-fashion designer, também é vista em sua recém inaugurada loja de moda na China, justamente batizada como “Wu Yong” (Inútil). “É um absurdo que a China exporte tantos produtos pelo mundo e não tenha nenhuma marca conhecida pelos consumidores”, ela desabafa. Sua marca “Useless”, com roupas bem simples e confortáveis, ao contrário das que são vistas em sua instalação de protesto, ganha com Jia Zhang-Ke instantânea projeção mundial.

Na sua terceira parte vemos em INÚTIL a paisagem desolada da China moderna com a melancólica decadência de tradicionais ateliês de costura, onde os últimos clientes vão fazer suas roupas de encomenda. Antigos artesãos de costura trabalham agora em minas de carvão. Depois de um ritual de lavagem corporal no fim da jornada de trabalho dos mineiros, Jia Zhang-Ke prova mais uma vez ao espectador, com os poucos diálogos de um casal, porque ele é mesmo um dos grandes gênios do cinema moderno. Mais uma vez o seu filme trata de resistência e humanismo. Apesar de todas as vicissitudes, o ex-costureiro e agora mineiro, com a mulher ao lado, prepara-se para ir passear de moto. E ele tem orgulho da roupa que sua mulher está vestindo, e que ele mesmo comprou numa loja para lhe dar de presente. O modelo que ela veste certamente não está à venda numa loja de chamada alta costura, como também as vemos no filme. Não é uma roupa para ostenter pela marca, o poder de compra de quem a usa... É um signo de afeição. Um sentimento que não se perde no filme de Jia Zhang-Ke apesar de todos os riscos da modernidade.

 


Jia Zhang-Ke, Ma Ke e Takeshi Kitano


Ma Ke



Escrito por Mostra às 14h01
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FILME-CHOQUE “CARGO 200” INAUGURA SELEÇÃO ‘GIORNATE DEGLI AUTORI’
“Cargo 200”, de Alexey Balabanov

FILME-CHOQUE “CARGO 200” INAUGURA SELEÇÃO ‘GIORNATE DEGLI AUTORI’

CARGO 200 é um filme russo sobre o fim da União Soviética. O 11º filme de Alexey Balabanov inaugurou a seção paralela do 64º Festival de Veneza ‘Giornate degli Autori’. Tem cenas chocantes de tortura. Mas o pior é foco na decadência moral de um regime corrupto, amoral, de personagens agarrados a pequenos privilégios dentro do partido e das forças de repressão, dos oportunismos acima de qualquer solidariedade. Pior ainda, lê-se no começo da projeção, é que tudo é baseado em fatos reais ocorridos em 1984, numa cidade de província perto de Moscou.

São os anos soviéticos conhecidos como “os anos de estagnação”. Há um leve sopro de liberdade no ar que se manifesta na coragem dos jovens dançarem versões domésticas de rock em discotecas improvisadas. Aliás, tudo em volta parece improvisado. Mesmo a sagrada vodka das almas desesperadas é destilada clandestinamente, pois na URSS o inconformismo sempre pareceu se manifestar e se concentrar contra o racionamento do álcool.

O título do filme corre à margem da terrível ação que o espectador irá testemunhar: o seqüestro e o estupro de uma jovem, filha do dirigente do partido comunista provincial. CARGO 200 é o código dos aviões que carregam cadáveres de soldados que periodicamente retornam das frentes de combate no Afeganistão.

A única surpresa do filme ao seguir personagens sem caráter é ver que a barbárie vai se superando sem compaixão. A crítica russa Maria Kuvshinova que “o objeto persistente da nostalgia socialista – a União Soviética – é apresentada aqui como um cadáver em decomposição”. O desmoronamento de todos esses ideais humanistas tem um personagem-chave – por mais incrível que pareça, na pele de um professor universitário de ateísmo... O filme termina com a sua ida a uma igreja decadente com o propósito de se batizar...

E também um dos melhores.
Deve ser um dos filmes mais chocantes entre todos da seleção.


Escrito por Mostra às 13h32
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“REPARAÇÃO/ ATONEMENT” ABRE FESTIVAL COM ELOQÜÊNCIA DE ESTILOS
James McAvoy e Keira Knightley em “Atonement”


“REPARAÇÃO/ ATONEMENT” ABRE FESTIVAL COM ELOQÜÊNCIA DE ESTILOS

“Reparação” é um romance em ilusório estilo autobiográfico escrito pelo célebre Ian McEwan em 2002. Com o objetivo bem alcançado de confundir a mente do seu leitor, o livro e agora o filme fazem pensar na real existência de uma personagem remoída por ciúmes e remorso que se torna escritora mas que só escreve o seu mais importante livro, de arrependimento pelos erros cometidos na vida, pouco antes de morrer. O romance serve para a personagem expiar-se de remorsos e da culpa carregadas desde a infância por acusar injustamente o namorada da irmã de estupro, no cenário de um paradisíaco castelo vitoriano em que sua família vivia em 1935, numa Inglaterra já afetada pelos prenúncios da Segunda Guerra Mundial.


A bela e comovente adaptação ao cinema por Joe Wright fizeram de ATONEMENT o filme certo de abertura do 64º Festival de Veneza. Suas eloqüências de estilo marcarão o filme por caprichos da boa adaptação para o cinema, pela direção igualmente detalhista (um plano-seqüência das tropas inglesas em território francês, vale pelo filme todo), o roteiro (de Christopher Hampton), cenografias (de Sarah Greenwood), figurinos (Jacqueline Durran) e pelas exuberantes e ótimas interpretações de James McAvoy, Keira Knightley, Ramola Garai e Saoirse Ronan. Mais a diva Vanessa Redgrave que dá um show à parte no papel da escritora ao final da vida. ATONEMENT deverá fazer excelente carreira internacional rumo aos Oscars. É o tão desejado filme cinemão, mas que raramente temos com toda esta efusão de talentos.


Fora de concurso, Veneza expõe REC, dos espanhóis Juame Balagueró e Paco Plaza, dando nova originalidade às infinitas variantes dos filmes de terror. Neste o filme só existe enquanto uma câmera de vídeo, de reportagem de uma televisão espanhola, está gravando, com o comando rec apertado. O que começa como uma reportagem sensacionalista para um programa de madrugada, acompanhando plantões de um quartel de bombeiros, termina com extremos chocantes de violência e vampirismo em um pacato edifício residencial cercado e isolado em quarentena.


Escrito por Mostra às 13h13
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Manoel de Oliveira e Maria Isabel de Oliveira em
“Cristovão Colombo – O Enigma”


FESTIVAL OFERECE OLIVEIRA, CHABROL, BRESSANE, GITAI, KITANO E ALLEN EM APRESENTAÇÃO ESPECIAL

O 64º Festival de Veneza (29 Agosto – 8 Setembro) terá em apresentações especiais os novos filmes de Woody Allen (CASSANDRA’S DREAM), Júlio Bressane (CLEÓPATRA), Claude Chabrol (LA FILLE COUPÉE EM DEUX), Amos Gitai (DISENGAGEMENT), Takeshi Kitano (GLORY TO THE FILMMAKER!) e Manoel de Oliveira (CRISTÓVÃO COLOMBO – O ENIGMA). Neste, o quase centenário realizador português atua ao lado de sua mulher Maria Isabel.

A grande retrospectiva programada servirá para resgatar os western all’italiana, gênero muito popular nos anos 60 e 70 que alavancou a indústria do cinema italiano e se espalhou pelo mundo.

Os homenageados do ano serão o italiano Bernardo Bertolucci e o alemão Alexander Kluge. Entre os clássicos restaurados em apresentações especiais destaca-se INTOLERÂNCIA/ INTOLERANCE, filmado por D.W. Griffith em 1917, com Lílian Gish, Mae Marsh, Robert Harron, Elmer Clifton e Constance Talmadge. A IDADE DA TERRA, rodado por Glauber Rocha em 1980, com Maurício do Valle, Jece Valadão, Tarcísio Meira, Antonio Pitanga e Ana Maria Magalhães será também revisto na categoria de grande clássico do cinema brasileiro e latino-americano.

De olho no futuro, a direção do festival de Veneza abre concurso mundial para o projeto de seu novo palácio de cinema. O atual é herança do regime fascista de Mussolini com suas características linhas arquitetônicas retas e de de perspectivas ampliadas. Mais informações sobre o concurso em http://www.labiennale-concorso.org/concorso.html


Escrito por Mostra às 13h04
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Michelangelo Antonioni

DEPOIS DE BERGMAN, ANTONIONI SILENCIA MAIS AINDA O CINEMA

Um dia depois de ser anunciada a morte de Ingmar Bergman, sabemos da morte de outro mestre do cinema, o italiano Michelangelo Antonioni, o arquiteto do existencialismo, o maestro da incomunicabilidade que contagiou platéias, desdo os anos 60 com filmes imortais como L’AVVENTURA, L’ECLISSE, IL DESERTO ROSSO, BLOW-UP, ZABRISKIE POINT e PROFESSIONE: REPORTER.

Antonioni andava nos últimos anos em cadeira de rodas, imobilizado com a metade direita de seu corpo depois de um derrame sofrido em 1985. Sem poder mais falar, dedicava-se à pintura, exercitando à perfeição as articulações com a mão esquerda. Primeiro pintou uma série de quadros com paisagens alpinas, montanhosas. Depois passou para o figurativo, também fazendo muito sucesso nas exposições que a sua mulher Enrica promovia por galerias e museus europeus.

Na sua casa, em Roma, em 1991, Antonioni nos recebeu para decidirmos juntos qual de suas pinturas seria escolhido para ser o cartaz da 15ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (veja abaixo). Ele pareceu não gostar da sugestão que lhe dei de se comunicar através de um computador adaptado para esse fim, como já conhecia vários em uso pelo mundo. Preferia se fazer entender através da mulher que, por vezes, também demorava para interpretar o que ele balbuciava. O mestre surpreendia a cada vez que parecia estar entregue ao seu destino.

Para quem pensava que Antonioni nunca mais filmaria depois de IDENTIFICAZIONE DI UMA DONNA, de 1982, a surpresa foi o anúncio, em 1992, do início da produção do filme AL DI LÀ DELLE NUVOLE/ BEYOND THE CLOUDS (seleção 19ª Mostra), com o estímulo e a colaboração do cineasta alemão Wim Wenders.

O filme só ficou pronto em 1995 e não foi bem recebido pela crítica italiana, o que muito magoou ao mestre. Pior seria com a apresentação do seu filme seguinte no Festival de Veneza de 2004, quando IL FILO PERICOLOSO DELLE COSE, parte do longa em episódios EROS, com mais direções de Steven Soderbergh e Wong Kar-wai, foi tão mal recebido que Antonioni resolveu remontar o episódio. O vício do cinema em velocidade e o controle remoto sobre as mentes de novas gerações de jornalistas vitimaram mais de uma vez o mestre da incomunicabilidade.

Com sua visão premonitória sobre o futuro do cinema, já em 1980, Michelangelo Antonioni se anteciparia ao apresentar IL MISTERO DI OBERWALD, inteiramente rodado em vídeo e depois transferido para película. Com IL MISTERO... ele voltaria a filmar pela última vez com a sua musa Monica Vitti. Uma surpresa experimental e tanto depois da excelente repercussão de seu filme PROFESSIONE: REPORTER, de 1975, com distribuição americana internacional.

Em 1995 Michelangelo Antonioni recebeu Oscar honorário em Hollywood. A estatueta ficou pouco menos de um ano na estante de sua casa. No natal do ano seguinte o seu apartamento foi roubado e seu troféu desapareceu para sempre.



Escrito por Mostra às 12h51
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 INGMAR BERGMAN


CINEMA PERDE O MESTRE SUECO INGMAR BERGMAN

“Não há iniciação em cinema sem um mergulho no universo bergmaniano com seus seres atormentados diante do silêncio de Deus”. Guardo essa sentença nas minhas memórias de cinéfilo, de artigos recorrentes em revistas francesas e argentinas, quando aqui não as tínhamos no tempo da ditadura militar. Sem hastear qualquer bandeira ideológica, Bergman era capaz de abastecer os nossos anseios por reações diante da ignomínia e da vontade de viver.


O exercício apaixonado de decifrar os códigos bergmanianos foram uma iniciação para legiões de admiradores que receberam a notícia da sua morte em 30 de julho de 2007. Como pouquíssimos cineastas do mundo, o seu nome é um adjetivo para sempre imortalizado para representar um estado de alma de personagens inesquecíveis e que serão sempre lembrados pela sua retórica própria.


Através da Mostra Internacional de Cinema conseguimos manifestar grande admiração por sua obra e manter alguns diálogos com o mestre sueco Ingmar Bergman. Seus filmes deveriam ser guardados para sempre como patrimônios da humanidade. Ao trazer à 29ª Mostra a trilogia “Ingmar Bergman Completo: Bergman e o Cinema, Bergman e o Teatro, Bergman e a Ilha de Farö”, Bergman diz à sua diretora Marie Nyreröd que guardava boas recordações de São Paulo, a cidade cujos críticos primeiro reconheceram o seu valor em todo o mundo. Digo para Marie Nyreröd transmitir a Bergman o nosso convite para vir a São Paulo no ano seguinte, para a 30ª Mostra Internacional de Cinema, em 2006. Para reforçar o pedido e já ter uma resposta ao seu argumento de sempre de que não viajava mais devido à sua avançada idade (em 2005 com 87 anos), peço para fotografarem a documentarista Marie Nyreröd ao lado do vigoroso cineasta português Manoel de Oliveira (então com 98 anos de idade) e que sempre que pode retorna a São Paulo com os seus novos filmes. Marie levou o prêmio da Mostra de melhor documentarista e a foto ao lado de Manoel de Oliveira. Soubemos depois que Bergman havia dado boas risadas com a provocadora sugestão.


Ver os filmes de Bergman sempre foi um desafio contracorrentes. Em 1977, ano de nascimento da Mostra Internacional de Cinema, ainda cuidando paralelamente da programação de cinema do Museu de Arte de São Paulo, tive a oportunidade maluca de trazer da Itália, com a ajuda do Instituto Italiano de Cultura, uma coleção de filmes antigos de Bergman, todos dublados em italiano. Fiz um belo e bem sucedido ciclo, juntando mais alguns títulos do acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, batizado como ‘Jovem Bergman’. Exercícios inesquecíveis de cineclubismo.


Outro interlocutor que nos introduz no admirável universo do pensador Ingmar Bergman é o então diretor do Göteborg Film Festival, o documentarista Gunnar Bergdahl, que nos traz para a 21ª Mostra “A Voz de Bergman”, realizado durante os ensaios teatrais da peça clássica “Ghost”, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Por sugestão do próprio Bergman, o cartaz multilingüe do documentário também vem traduzido em português.


A 29ª Mostra Internacional de Cinema encantou os espectadores também com uma retrospectiva do pioneiro do cinema sueco Victor Sjöström, cujo filme “A Carruagem Fantasma”, de 1921, seria um dos preferidos e mais revistos por Ingmar Bergman. Na mesma retrospectiva, a inclusão de “Morangos Silvestres”, clássico dirigido por Bergman em 1957, onde o cineasta homenageia Sjöström confiando-lhe um dos marcantes papeis do filme.

O legado de Bergman e seus personagens atormentados contarão ainda muitas histórias e encerram revelações para legiões de novos espectadores que têm o cinema como condutor de vida e inteligência.

 



Escrito por Mostra às 12h41
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PRODUÇÕES ANGLO-AMERICANAS PREDOMINAM NA SELEÇÃO DO FESTIVAL

O Festival de Veneza, de todos o mais antigo, anuncia os filmes selecionados para competir em sua 64ª edição (29/ agosto - 8/ setembro/ 2007). A metade dos 22 títulos da lista tem produção norte-americana ou é falada em inglês. Dois de seus troféus Leone d’Oro servirão para distinguir o mestre italiano Bernardo Bertolucci e o americano Tim Burton. Outro homenageado será o alemão Alexander Kluge. A grande retrospectiva programada servirá para resgatar os populares western all’italiana, gênero muito popular nos anos 60 e 70 que alavancou a indústria do cinema italiano e se espalhou pelo mundo.



A seguir, os filmes em competição:



De Joe Wright, Atonement - Grã Bretanha / EUA, 123’, com Keira Knightley, James McAvoy, Vanessa Redgrave, Romola Garai, Brenda Blethyn. Este será o filme inaugural do 64º Festival de Veneza.



De Wes Anderson, The Darjeeling Limited - EUA, 91’, com Owen Wilson, Adrien Brody, Anjelica Huston, Jason Schwartzman, Bill Murray.



De Kenneth Branagh, Sleuth - Grã Bretanha / EUA, 86’, com Michael Caine, Jude Law.



De Youssef Cgahine, Heya fawda (O Caos ) - Egito, 122’, com Khaled Saleh, Mena Shalaby, Hala Sedky, Youssef El Cherif



De Brian de Palma, Redacted - EUA, 90’, com Kel O`Neill, Daniel Stewart Sherman.



De Andrew Dominik, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford - EUA, 155’, com Brad Pitt, Casey Affleck, Sam Shepard.



De Paolo Franchi, Nessuna qualità agli eroi - Itália / Suíça / França, 102’, com

Elio Germano, Bruno Todeschini, Irène Jacob.



De Tony Gilroy, Michael Clayton - EUA, 119’, com George Clooney, Tilda Swinton, Sydney Pollack.



De Peter Greenaway, Nightwatching - Canadá / França / Alemanha / Polônia / Holanda / Grã Bretanha, 134’, com Martin Freeman, Emily Holmes, Michael Teigen



De Jose Luis Guerin, En la ciudad de Sylvia - Espanha, 90’, com Pilar Lopez De Ayala, Xavier Lafitte.



De Paul Haggis, In the Valley of Elah - EUA, 120’, com Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Susan Sarandon.



De Todd Haynes, I’m not There - EUA, 135’, com Richard Gere, Cate Blanchett, Heath Ledger, Julianne Moore, Christian Bale, Charlotte Gainsbourg



De Jiang Wen, Taiyang zhaochang shenqi (The Sun Also Rises) - China / Hong Kong, 116’, com Jiang Wen, Joan Chen, Zhou Yun, Jaycee Chan, Anthony Wong



De Lee Kang Sheng , Bangbang wo aishe
 


Escrito por Mostra às 12h25
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