EGOYAN, PERTURBADOR COM ‘ADORAÇÃO’
ADORATION, de Atom Egoyan

EGOYAN, PERTURBADOR COM ‘ADORAÇÃO’

ADORATION, do canadense Atom Egoyan, foi um dos destaques da competição no 61º Festival de Cannes. Egoyan cria expectativas com o seu cinema sempre perturbado, onde tradições culturais que desafiam o que possa ser desagregador. Ele é mais um dos cineastas sempre destacados na constelação de Cannes. Bem que merece. Egoyan constrói filmes densos, ricos e inventivos, cheios de humanidade. Preserva valores familiares e sempre os coloca acima dos fetiches enganosos de modernidade.

Em ADORATION/ ADORAÇÃO, seguimos um adolescente que ganha fama instantânea graças à internet. Estimulado misteriosamente por sua professora de francês e arte cênica, uma imigrante libanesa que perdeu os pais na guerra civil, o aluno inventa uma história terrível sobre terrorismo. Na sua imaginação, o pai seria um terrorista que usou a sua mãe grávida para ingressar com um explosivo num avião de carreira rumo a Israel com 400 passageiros a bordo.

De verdade, o adolescente perdeu os pais num acidente de carro e é criado pelo tio, irmão da mãe, uma violinista virtuosa. Só que a história inventada entra na rede e provoca reações indignadas pelo mundo. Mais provocador fica quando o rapaz coloca em discussão os fundamentos e os motivos que levam pessoas a atuar em atos de extremismo. Os recursos modernos de se fazer notar instantaneamente pela internet, com câmeras digitais de telefones e outros recursos fáceis de usar com o próprio computador, reascende os debates sobre os atentados de 11 de Setembro.

A professora perde o emprego por ter estimulado a aluno a ir tão longe com a sua história. Mas ela tem um segredo que os aproxima tanto. Saberemos disso ao final do filme, o que torna estes confrontos ainda mais excitantes. Ela é interpretada pela ótima atriz de Egoyan, Arsinée Khanjian, mulher e principal colaboradora do diretor. Ela é o fundamento de Egoyan e sempre dá rumo aos seus filmes. Merecidamente a dupla é considerada entre as mais criativas do cinema canadense e ADORAÇÃO ficou entre os mais bem vistos de todo o festival.

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Escrito por Mostra às 20h40
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O MARKETING INTELIGENTE DE UMA NOVA CÂMERA
THE FLIP TRIP, de Vincenzo Cosentino

O MARKETING INTELIGENTE DE UMA NOVA CÂMERA

A fórmula foi um perfeito marketing durante o 61º Festival de Cannes. A recém lançada filmadora digital Flip Video, disponível inicialmente no mercado norte-americano, em associação com a produtora francesa Celluloid Dreams, criou uma competição de filmes paralela ao próprio festival de Cannes.

Presenteou com uma de suas mini-câmeras a cada um dos cineastas de curtas-metragens presentes e lhes propôs realizarem em três dias um novo curta de até três minutos de duração. Como jurados do ‘Flip Competition’, com o bom prêmio de dez mil dólares ao vencedor, a Celluloid convidou diretores de festivais internacionais presentes em Cannes. Foram realizados 105 curtas. Os 21 finalistas foram vistos e julgados em reunião pelos diretores dos festivais de Berlim, Locarno, Carlovy Vary, Nova York, Toronto e São Paulo.

A mini câmera atende a uma nova geração de internautas. Tem capacidade para gravar até 30 minutos, 1 GB de memória e resolução vídeo VGA de 640 x 480 pixels. O que mais interessa na sua versatilidade é a possibilidade de conexão fácil e imediata à internet.

Por unanimidade, o vencedor foi o curta THE FLIP TRIP, de Vincenzo Cosentino, uma animação inteligente e bem humorada sobre o nascimento de uma nova estrela que vai a Cannes pela primeira vez: a própria câmera Flip. Os concorrentes e os vencedores podem ser conferidos no sítio http://www.theauteurs.com/competitions/1


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Escrito por Mostra às 01h45
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A DIFÍCIL TAREFA DE ADOTAR CINEASTAS
O SILÊNCIO DE LORNA, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

A DIFÍCIL TAREFA DE ADOTAR CINEASTAS

Cannes cultiva o hábito de adotar cineastas e prestigiá-los ao longo de suas edições. Uma verdadeira revolução aconteceu neste cenário quando em 1968 o festival foi interrompido para repensar a sua fórmula conservadora de promover cinema. A partir de 1969 surgiria a Quinzena dos Realizadores e mais adiante Un Certain Regard. Uma vez encorajado e fortalecido o conceito de cinema autoral, a constelação de Cannes forjou nomes e talentos que é muito difícil abandonar. Cannes e outros festivais agem como se adotassem cineastas e fazem suas platéias seguir o que eles fazem, evoluindo ou não a cada filme.

Mas tudo tem limite. Muitas vezes falta espaço na seleção para os seus antigos protegidos. Mas quem se destaca com este sortilégio também sabe o custo de tanta exposição à mídia mundial. É o que passa com os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que venceram a Palma de Ouro por duas vezes e voltam à disputa com LE SILENCE DE LORNA/ LORNA’S SILENCE/ O SILÊNCIO DE LORNA. Quando a imprensa sai da primeira exibição do filme dizendo que o estilo dos Dardennes está mudando, está mais acessível, será isto um elogio ou uma crítica negativa? Lembrar que o último deles L’ENFANT/ THE CHILD (Palma de Ouro em 2005) foi um fracasso mundial de público, pesa a favor ou contra o cinema deles?

É verdade que a câmera selvagem dos filmes com a marca Dardenne até L’ENFANT, por vezes difícil de seguir, está mais comportada e domesticada em O SILÊNCIO DE LORNA. Mas felizmente a argüição sociológica deles segue preservada. A Bélgica que eles desnudam jamais deixaria ser representada por um cinema assim antes de 1968, quando eram os países que, oficialmente, indicavam os filmes a Cannes. Exemplo criado e ainda mantido nas bienais de artes como do precursor em Veneza.

A Bélgica dos Dardenne segue piorando nos enfoques realistas dos irmãos implacáveis. Dessa vez não há jovens sem perspectiva de trabalho ou ascensão e não há jovens despreparados para ter filhos. Eles nos conduzem a um submundo organizado de imigrantes ilegais da Albânia, da sedução pelo euro e a europeização de uma civilidade que não combina com o balanço social que o estado constituído tenta manter, ao menos nas aparências. O grupo que seguimos tem uma sedutora isca (a talentosa Arta Dobroshi) que ganha cidadania ao se casar com um junkie drogado e suicida. Ao começar a se humanizar com o flagelo social com quem divide um mesmo apartamento, ela é posta sob observação e desencadeia uma vendeta sem retorno. Grávida, não pensa em abortar; passa a ajudar o marido de casamento arranjado. Finalmente recusa a se casar de novo, desta vez com um russo que também busca a nirvana da cidadania européia, e se desencanta de vez com todas as seduções do paraíso.

Imprensa, produtores, distribuidores, diretores, todas as platéias que buscam em Cannes o novo que irá arrebatar as platéias de todo o mundo, também experimentam uma frustração ao longo dos dias em que o festival passa por eles. O cinema autoral segue protegido como ficamos felizes de ver que os Dardenne concluíram mais um filme sem trair seus estilos. A frustração que cresce é constatar que a defesa de uns significa a desclassificação de centenas de outros filmes que não estão em Cannes por simples falta de espaço nas suas diversas programações. Novos talentos pedem mais espaço. Para tanto realmente há o papel exercido pelos festivais ao longo do ano e pelo mundo.

Vale reproduzir o diálogo do mestre Manoel de Oliveira, lembrado na homenagem que Cannes lhe fez com uma Palma de Ouro de carreira:

“Fui visitar Fellini no hospital e ele me disse que os cineastas tem os aviões (os filmes), mas não têm onde pousar. Depois pensei, que sim, temos aviões e temos muitos aeroportos para pousar, que os nossos aeroportos são os festivais de cinema...”

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Escrito por Mostra às 01h44
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BRASIL, O SEGREDO DA LONGEVIDADE 

BRASIL, O SEGREDO DA LONGEVIDADE

O 61º Festival de Cannes fez uma homenagem ao centenário Manoel de Oliveira cheia de surpresas. A sala lotada do Grand Théâtre Lumière tinha as presenças de Clint Eastwood, Sean Penn e Walter Salles entre muitos outros cineastas, jornalistas e convidados. Manoel de Oliveira, prestes a completar 100 anos, em dezembro, veio acompanhado por sua mulher Maria Isabel, o neto Ricardo Trepa, o ator e diretor Michel Piccoli e o diretor da cinemateca portuguesa João Bénard da Costa.

Gilles Jacob, presidente do festival, fez um discurso emocionado falando da importância de Oliveira e de seus filmes, a maioria feita depois de seus 70 anos de idade. Tierry Fremaux, diretor do festival de Cannes, improvisou a sua homenagem ao cineasta português lembrando que estamos testemunhando o centenário de três grandes personalidades: “Claude Levy Straus, Oscar Niemayer e Manoel de Oliveira. Niemayer já é brasileiro, Levy Straus foi muito ao Brasil (para fazer os seus estudos antropológicos) e Manoel de Oliveira vai muito ao Brasil (à Mostra Internacional de Cinema); portanto, Clint Eastwood e Sean Penn, se vocês querem chegar aos 100 anos podem começar a ir ao Brasil!”, completou.

A primeira surpresa da homenagem foi a exibição de um pequeno filme assinado por Gilles Jacob – “Um dia na vida de Manoel de Oliveira”, com um depoimento do cineasta em seu apartamento no Porto. É onde Oliveira lembra de sua última passagem por Cannes: “Recebi uma mensagem no hotel sem assinatura. Dizia que o cinema é movimento, o que não havia nos meus filmes. Que eu fazia still, fotos fixas. Eu completei a nota. Disse que a foto fixa não tem movimento algum. Mas que um plano fixo, ao contrário, tem muitos movimentos em seu interior.”

A maior surpresa foi a entrega de uma Palma de Ouro a Manoel de Oliveira. “Acho muito melhor ganhar um prêmio assim, sem competir com outros colegas”, agradeceu Oliveira. A homenagem foi encerrada com a exibição do curta de 18 minutos DOURO, FAINA FLUVIAL, que Manoel de Oliveira fez em 1930 e apresentou em setembro de 1931 no congresso internacional de críticos.

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Escrito por Mostra às 11h40
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SALLES É APONTADO COMO ‘O REI DO WORLD CINEMA’
LINHA DE PASSE, de Daniela Thomas e Walter Salles

SALLES É APONTADO COMO ‘O REI DO WORLD CINEMA’

Honrados com o melhor dia fora o da abertura, no primeiro sábado, três estilos de cineastas cult se cruzaram no 61º Festival de Cannes. O chinês Jia Zhang Ke (24 CITY) e os brasileiros Daniela Thomas e Walter Salles (LINHA DE PASSE) se encontraram na hora nervosa dos testes de projeção, mas sem que pudessem ver o que o outro filmou. Já Woody Allen (VICKY CRISTINA BARCELONA) exerceu o seu capricho ao atrasar a sessão seguinte, de Daniela e Walter, por recusar-se a descer as escadarias do palácio de festival sob chuva torrencial às dez e meia da noite. Só que quem entrou toda molhada na sala foi a platéia de LINHA DE PASSE.

Jia Zhang Ke apresentou o seu filme mais radical e difícil. Muitos planos fixos para uma mistura de entrevistas reais e fictícias sobre um tema crucial: uma cidade à deriva (Chengdu, que acaba de ser arrasada com um terremoto) e uma população de três gerações descartada depois de servir por 50 anos aos caprichos do regime comunista. Ao mesmo tempo, o renascimento da sua economia sob a voracidade de um capitalismo selvagem tão cruel e indiferente com as vidas envolvidas e destruídas quanto o sistema anterior. 24 CITY é o nome de um moderno conjunto habitacional que será construído no local de fábricas do estado onde muitos chineses deram a vida pelo progresso e pela manutenção de segredos militares do regime. É que Chengdu era uma cidade proibida por sediar fábricas de armamentos e componentes do pesado maquinário bélica. Vemos novamente a China em transe, tema sempre inventivo do cinema do genial Jia Zhang Ke.

LINHA DE PASSE é o novo filme da dupla brasileira Daniela Thomas e Walter Salles que se firma definitivamente no cenário internacional. Um modesto jornal de distribuição gratuita durante o festival, “Technikart Super Cannes”, dá a Salles a melhor e mais elogiosa definição: “o rei do world cinema, mesmo fazendo um filme num universo super local”.

O universo “super local” a que se refere é a periferia de São Paulo, sua pobreza horizontal e as chances de escape de se contar nos dedos. São quatro filhos homens de uma mesma mulher e aventuras diferentes. O filme vai nos falar de um flagelo social de envergonhar o Brasil – a ausência de pais em uma boa parcela das relações familiares. Os passes de ascensão dos quatro filhos são o futebol, o pastoreio nas igrejas paralelas, os trabalhos desqualificados (agora com a carreira dos motoboys) e o crime. Quem parece destinado para merecer um prêmio, além do próprio filme, é o ator-mirim e revelação Kaique de Jesus Santos, agora com 15 anos, descoberto através da ONG Casa do Zezinho. Ele, com a sua história de um menino negro à procura do pai entre centenas de motoristas de ônibus, encantou as platéias de Cannes. Mais justo ainda, como Cannes já fez em duas outras vezes, seria premiar em conjunto todo o elenco de LINHA DE PASSE, além do pequeno Kaique: Vinícius de Oliveira, João Baldasserini, Sandra Corveloni (a mãe) e José Geraldo Rodrigues.

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Escrito por Mostra às 11h22
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CINEASTAS COM ESTILO E CORES SOMBRIAS
LEONERA, de Pablo Trapero

CINEASTAS COM ESTILO E CORES SOMBRIAS

Seguido ao impacto de BLINDNESS e WALTZ WITH BASHIR, vamos à resenha dos filmes vistos nas diversas seções dos dois primeiros dias do 61º Festival de Cannes.

LEONERA (competição), do argentino Pablo Trapero, nos leva a uma prisão feminina para seguirmos o drama de mulheres encarceradas com seus filhos, no direito que ficar trancafiadas com crianças até elas completarem quatro anos de idade. Herança legal da ditadura militar argentina. Ficamos com a tragédia de Julia (Martina Gusman), acusada de matar o namorado. Quem a acusa é Ramiro (Rodrigo Santoro), que vivia promiscuamente com o casal. O conflito de Julia com sua mãe (Elli Medeiros), uma refugiada política que acabou ficando por Paris, reascende com a tentativa de tirar o seu pequeno filho do confinamento carcerário. Trapero merece atenção especial por todos os filmes radiográficos que faz (MUNDO GRUA, EL BONAERENSE, FAMILIA RODANTE, NACIDO Y CRIADO). Seus últimos filmes tem a simpatia do cineasta brasileiro Walter Salles, que o co-produz através da sua VideoFilmes.

Mais um filme sombrio na competição foi ÜÇ MAYMUN/ THREE MONKEYS/ TRÊS MACACOS, do turco Nuri Bilge Ceylan, um cineasta que aproxima a sua linguagem cifrada do cinema da incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni. Desta vez suas nuvens carregadas pairam sobre o terraço da casa de um motorista que serve integralmente a um político de província. O político atropela acidentalmente a uma pessoa, foge sem prestar socorro e pede que o seu empregado assuma em seu lugar, por mais dinheiro, a culpa e a condenação. Nove meses depois, o motorista sai da prisão e espanta-se com o horror. Sua mulher o trai com o político e seu filho único fracassou nos estudos. A violência latente e real aos poucos terá que se definir sobre o rumo a tomar. Como nuvens de uma tempestade anunciada, ela promete se dissipar aos poucos. Faltam detalhes ainda mais perturbadores nessa torrente turca, estilosa como um bom filme dos dramalhões mexicanos dos anos 50.

UN CONTE DE NOËL/ A CHRISTMAS TALE/ UM CONTO DE NATAL, de Arnaud Desplechin (competição), é um retrato de família através de três gerações, no melhor estilo do cinema francês, com tragédias e romance, tudo pincelado com jocosidade e ares blasé.

Catherine Deneuve faz Junon, a matriarca marcada para sempre pela morte de seu primeiro filho aos seis anos, de leucemia, quando a medicina não tinha tantos recursos contra o câncer. Hoje é a sua vez de manifestar a mesma doença e a transfusão de medula motiva a família a se reunir novamente. É tempo de natal e há tensão sobre quem será o seu doador e com os reencontros. A escolha médica será entre o filho renegado ou o neto com distúrbios mentais. Como em seu filme anterior, L’AIMÉE, velhas fotografias de família ajudam a decifrar muitos enigmas das relações familiares.

CZTERY NOCE Z ANNA/ FOUR NIGHTS WITH ANNA/ QUATRO NOITES COM ANNA, traz de volta o veterano polonês Jerzy Skolimowski, 17 anos depois de seu último filme, associado ao produtor português Paolo Branco. Também o filme de abertura da 40ª Quinzena dos Realizadores veio carregado com tintas sombrias. Seguimos a obsessão de um simplório empregado de um hospital de aldeia, encarregado dos serviços de incineração. Até o dia em que testemunha a violação da enfermeira Anna, a quem passa a perseguir e espionar. Um dia planeja induzi-la ao sono a fim de invadir o seu quarto. O plano dá certo. Ao espectador o veredicto pela sua audaciosa e perigosa conduta.

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Escrito por Mostra às 11h21
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