ÍCONE DO CINEMA FRANCÊS ESTÁ À VENDA
A notícia já era conhecida no meio editorial francês desde abril de 2008, mas foi oficialmente anunciado e circulou no 61º Festival de Cannes: a revista CAHIERS DU CINEMA, hoje editado pelo jornal LE MONDE, está à venda. O anúncio veio no editorial “Travaux Ouverts” (Trabalhos Abertos), assinado por Emmanuel Burdeau e Jean-Michel Frodon. O editorial é o da edição nº 634, de maio de 2008, do CAHIERS DU CINEMA. Assinam o editorial, respectivamente, o chefe dos redatores e o diretor de redação da revista.
O perigo ronda este ícone do cinema francês, por onde passaram críticos e depois famosos cineastas como Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, François Truffaut, Eric Rohmer, Jacques Rivette e muitos outros jovens cinéfilos. Graças a eles nasceria a ‘política de autor’, que deu status de autor aos diretores de cinema que até então, nos anos 50, eram tratados por produtores de Hollywood como meros empregados dos estúdios. Este conceito estimulante para se criticar e discutir filmes começou já com André Bazin, que de 1951 a 1958 foi o primeiro diretor de redação do CAHIERS.
O seleto grupo de críticos seria também responsável pelo surgimento do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague que lança no final dos anos 50 frescor e audácia no cinema mundial e muda as convenções de uma produção de filme. Sai às ruas como o seu precursor neo-realismo italiano e dialoga com a realidade do entorno. Aderem ao movimento, mesmo sem serem da redação do CAHIERS, nomes depois igualmente inseridos na sua adorável galeria: Agnès Varda, Jacques Demy, Jean Rouch, Roger Vadim, Jacques Rozier, Claude Berri, Alain Resnais e Maurice Pialat. À margem do movimento, mas igualmente influente, afirmam-se os cinemas de Claude Lelouch e de Jean-Pierre Melville. E segue-se a geração influenciada pela Nouvelle Vague que dinamiza ainda mais as regras do movimento : Jean Eustache, André Téchiné, Jacques Doillon , Bertrand Tavernier, Claude Sautet, Michel Deville e Jean-Paul Civeyrac…
« Não sabemos ainda qual será o futuro do CAHIERS, mesmo se os dirigentes do MONDE estão empenhados para que os sucessores, quem seja escolhido, garantam a fidelidade à história da revista e assegurem o seu progresso », dizem os editorialistas.
Segundo Frodon, somam-se onze grupos interessados em dar continuidade editorial ao CAHIERS DO CINEMA. Esperamos também que mais esta história de ameaça à cinefilia tenha um final feliz.
